O relógio despertou no meio da noite. Virei pro lado e com uma pancada certeira silenciei o tirano. Maldita invenção! Quem foi o besta que criou uma maquineta dessas que só serve pra controlar o tempo das pessoas? Pro trabalho, é claro! Pra férias, pra uma cervejinha, nem a pau! Baita invento! Bom pro patrão, aquele vampiro! Suga meu sangue até que pode, e nem sequer agradece! Deveria pelo menos pagar uma cerveja de vez em quando. Mas nem isso. Acordei já era passado das nove e meia. O telefone tocava escandaloso lá na sala. Outra engenhoca inventada pra perturbação do sossego alheio. Mas essa pelo menos serve pra falar com a pessoa que está lá do outro lado. Droga! Perdi o horário. Também, porque que eu preciso ta há essa hora no trabalho? Fico lá esperando o tempo passar. Oito horas todo dia. Ninguém merece! Aliás, merece sim... O patrão! Esse pelo menos ganha dinheiro. Mas na verdade quem trabalha sou eu, repetindo a mesma porcaria todo o santo dia. Será que vou acabar nisso? Será que vou terminar minha vida assim? Sem ver a cor da grana grossa? Enquanto aquele bunda-mole fica só no escritório... Pernas cruzadas, cafezinho, computador, telefone, secretária gostosa... E eu aqui, me ferrando, preocupado com o horário. Maldito condicionamento! Maldita rotina! Mas lá vou eu. Preciso do meu ganha pão. Operário é isso! E saber que fui enganado um dia. Porque minha mãe, meu pai, minha professora e o padre não me jogaram a real? Porque não me falaram a verdade? Não poderiam ter mentido. Ferraram comigo! Estudei pra que? Pra isso? Se bem que nunca fui um aluno exemplar. Um filho exemplar. Um cristão exemplar. Acho que foi vingança deles. Dane-se também! Hoje ainda não sou exemplar. Nunca serei! Não sou um empregado exemplar, padrão, que faz tudo certinho como o patrão manda. Nunca ganhei e nem quero ganhar prêmio algum. Destaque... Que piada! O destaque do mês ganhou uma churrasqueira portátil, de lata. Grandes bosta! O destaque do ano passado então ganhou uma bicicleta paraguaia e uma garrafa de champanha de maçã. E se achando o braço direito do patrão. Parece até que foi convidado pra passar o final de ano na chácara do patrão. Enche os bolsos do patrão e ano após ano vai pra casa a pé. Não tem nem um carro. Nem um cavalo se quer. E teve que vender a bicicleta pra pagar a tevê nova que a mulher comprou. Otário! Bem, já é quase dez horas e o telefone ainda grita. Vou pro batente de uma vez antes que sobre pra mim.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Sim, essa é a minha estatura!
“Herman, o dia do escritor passou e você não escreveu nada?!” Escrevi sim! Como é que não?! Escrevo todo dia. Essas minhas maldições às vezes até me dão dor de cabeça. Não busco aplausos nem o brio. Não busco redenção nem a salvação da minha alma pelas boas ações. Aliás, o que faço-escrevo, não está ligado às boas ações, nem de longe. Ontem andava na rua e alguém me atacou. Mãos vazias, mas boca e cabeça cheias de palavras guardadas pra mim. Menos mal. Palavras até ferem, mas dificilmente te fazem ir para um hospital. “Tenho críticas e elogios para te fazer Herman!”. “Tem um tempo pra isso agora?”. Aqui? No meio da rua? “Bem, tu é que sabe!”. “Poderíamos ir para outro lugar... um bar ou café...”. Não, não, tudo bem, pode ser aqui mesmo, se for rápido, tô cheio de coisas pra fazer... “Óquei, é rapidinho!”. Diga lá então... “Blá, blá, blá... Blá, blá, blá... Blá, blá, blá...”. Nisso, dez minutos se passaram. Eu já não sabia mais se continuava ouvindo aquilo tudo ou se abandonava a falação e saía correndo dali. Não que eu não considere aquilo que me falam, mas tudo tem limite. Além do mais, não era o momento nem o lugar pra querer discutir subjetividades como as que estavam sendo ditas. Num momento tive que interromper o assunto e interrompi. Muito bem! Beleza, beleza! Concordo com tudo isso! Ta legal! “Não, não pode!”. “Tu não pode concordar com tudo!”. “Como assim?!”. “Você é tão crítico nos textos!”. Sim, sim, posso ser, mas... “Pode ser?”. “Como assim?”. “Não pode não!”. “Você é!”. Beleza, então eu sou! Mas isso não significa que tudo o que eu diga, escreva ou possa parecer, realmente é. “Ah?!”. “Como assim?”. E lá se foram mais dez minutos. Meu amigo, eu escrevo. Eu divago. Eu publico. É isso. Não sou um pregador, conselheiro ou algo que valha. Sou apenas um escritorzinho interiorano que adquiriu seu espaço em alguns meios de comunicação. “Então você ta me dizendo que tudo o que você escreve você inventa?”. “Que é tudo mentira?”. Não, não. Não tudo! E inventar não é mentir. “Ufa!”. “Já estava pensando que você era um charlatão.” Não chego a tanto. Mas também não pense que sirvo de exemplo pra alguma coisa. Considere meus textos, os que achar que deva considerar. Só isso! “Mas... mas... É tão simples assim?”. É. Bem simples. “Ora bolas!”. “E eu achando que você era grande coisa!”...
Crianças, bichos, pessoas & outras poesias...
Pitoco, o cão & o galo (fotografados na Trilha do Pitoco em algum verão...)
O descanso do Pitoco
by Herman G. Silvani
A crise do capitalismo e a direita fundamentalista
Em meio à crise do capitalismo estadosunidense e europeu (presente nas diversas tentativas de salvar a Grécia, berço da filosofia de caráter helênica de Sócrates, Platão e Aristóteles, três ideários que influenciam o ocidente ainda hoje), a ultra-direita liberal-conservadora e fundamentalista põe suas garras de fora. Os ataques na Noruega por aquele direitista de cunho nazi-fascista é uma mostra disso. Políticos e militantes da intolerância étnico-racial se organizam velados por todos os cantos do globo. Se antes os judeus eram o principal alvo, hoje são todos os outros povos, os considerados inferiores (entre eles, os muçulmanos). Uma guerra étnico-cultural, político-ideológica e religiosa se desenha. Os valores ocidentais ufanistas de extrema direita atuam velados, de forma simbólica pela ideologia de mercado e por algumas ordens secretas na sociedade já há algum tempo (desde a Idade Média, eu diria). Só não são tão perceptíveis, ou seja, não são vistos ‘a olho nu’ pela grande maioria das pessoas. Só são vislumbrados quando atos de violência como os ataques na Noruega acontecem e viram notícia nos meios de comunicação. Grupos neonazistas e neofascistas, partidos ortodoxos cristãos e algumas ordens secretas, entre outros, atuam cotidianamente na manutenção das suas ideologias e em planejamento para o sucesso das suas tomadas de poder e território. Pregam uma pretensa e suposta pureza, uma superioridade racial-cultural, uma hierarquia social e uma economia forte, assim como seu conceito de raça ideal deve ser. Força física, intelectual, espiritual, cultural, racial, além da econômica. O idealismo de um sistema ‘perfeito’ - mas só para os ‘eleitos’ (é bom que se diga). O combate às diferenças, ao multiculturalismo, a miscigenação, é um dos objetivos centrais dessas ideologias xenofóbicas. A perseguição daquilo que se convencionou chamar de ‘marxismo’ (ou dos ‘comunistas’ – nisso, qualquer pessoa que tenha algumas concepções libertárias é considerado um). A caça às bruxas. A luta do ‘bem’ contra o ‘mal’. O aparente ‘eterno dualismo’. O perigo desse tipo de pensamento é tão presente! Por isso, não se enganem, a intolerância se esconde por detrás de uma moral. E cuidado com os ideais, eles podem sufocar o pouco de sopro de diversidade que ainda existe.
Xapecó em buracos
Já encomendei meu trator. Trator de esteira. Pra andar nas ruas de Xapecó tem que ser. Quanto buraco! E não são de hoje. O pneu ta caro! A esteira mastiga asfalto, mas pelo menos não fura nem rasga. É o jeito! Eu se fosse você, faria como eu. É um investimento, mas... fazer o que... Preciso me locomover neste chão esburacado, neste transito louco e congestionado. Com meu trator novo, além de ignorar tanto buraco, vou poder estacionar em lugares alternativos e abrir caminho quando precisar passar. Os carrões é que se cuidem! Lá vem o trator de esteira do Herman, atropelando tudo. Só vou poupar as crianças e os velhinhos e os cães e os gatos. Cavalos e outros bichos também serão desviados da minha esteira. Mas o objetivo não é esse (ainda não!), senão compraria um rolo compressor, é mais preciso. Por enquanto vou com o trator mesmo. Os buracos são meus obstáculos no momento. Parece que o dinheiro dos impostos não cura as feridas asfálticas. Elas crescem e generalizam. Transformam-se em enormes tumores. Deixam doentes. Fazem vítimas. Elas estão por todos os lados. Proliferam-se como fungos e tomam conta das ruas da cidade. Principalmente daquelas que dão acesso a locais, digamos, menos importantes. Por isso quando ouço dizer que ‘os direitos são iguais para todos’, ou ‘todos são iguais perante a lei’, tenho que rir. Balela! Se eu não tiver grana, o direito vira discurso. Mas quando chegar meu trator de esteira passo por cima também desses ‘detalhes’. Vou ouvir gente falando ‘Olha só, não é aquele escritor maluco do Voz do Oeste naquele trator mastigando asfalto?’. Um tanque de guerra também não seria nada mal. Nele, ao contrário do trator, não seria visto nem reconhecido. E ainda tem a vantagem de o tanque ser blindado e poder dar tiros de canhão. Me protegeria daqueles que querem meu coro e ainda poderia dar uns tiros de vez em quando, só pra azucrinar o marasmo dos finais de semana xapecoenses. Só não vou atirar em vão como fazem alguns por aí com suas metralhadoras giratórias carregadas de festim. Enfim. Não haverá buraco que eu não cruze.
Miscigenação cultural entre classes (?)
A ira da burguesia industrial-empresarial individualista no Brasil frente ao governo, não é mais pela economia. Mais do que nunca na história do país, grandes empresas e grandes industriais tem tanto dinheiro. Nunca viram tanta facilidade, tanta grana. Suas contas nos bancos estão obesas. A indignação que num passado não tão distante era pela questão econômica, hoje é pela questão cultural. Essa classe não suporta ver gente pobre, filhos dos empregados, classe baixa (ou qualquer outra nomenclatura que queiram chamar), terem acesso a determinados ‘bens culturais’. Mas o extremo de tudo para os abastados é ver a ‘classe inferior’ dividindo o mesmo espaço, que em tese, deveria ser só deles. Os filhos dos pobres freqüentando o mesmo espaço que os seus filhos. O ‘separatismo econômico-cultural’ diminuindo. Isso atormenta a ‘classe superior’. Isso até parece uma equiparação econômica e cultural, e isso, causa pânico só de pensar. Assim funciona a cabecinha de grande parte dos monopolistas brasileiros. Dividir riquezas, dividir espaços, nem pensar! São tão egoístas, tão gulosos, tão gananciosos e egocêntricos que não admitem uma mínima melhoria daqueles que sempre consideraram inferiores. Isso é uma ‘tradição’ no Brasil, que vem desde o tempo da escravidão – e continua. O produtor, aquele que faz a economia do país com seu corpo, assassinando seu tempo, não pode crescer economicamente nem culturalmente. ‘Ele pode ser perigoso!’, pensam alguns imbecis arrogantes. Mas no fundo, é medo que eles sentem. Receio de perder seus status, mais do que suas posses (estas estão mais garantidas, já que aqui, no capitalismo, a propriedade privada é um bem e um direito ‘sagrado’, mais do que a vida, eu diria, pois aquele que tenta roubar um bem de outro, pode até ser morto, nisso, a vida vale menos do que o material, logo, a humanidade é menos importante do que os objetos que ela mesma construiu: ‘ter vale mais do que ser’ – pra mim não!). Os ‘pobres’ estão entrando nos seus salões luxuosos, pisando em seus tapetes vermelhos, bebendo seus espumantes e comendo dos seus pratos exóticos . Os ‘pobres’ estão ‘pegando’ suas filhas e isso tudo os incomoda. Que pena! Mas como dizem, a vida dá voltas... & o Caos sempre esteve por aqui.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Escrever o mundo cronicamente...
Volta e meia alguém me pergunta se escrever me deixa feliz. Dependendo do momento sim. Tenho motivos íntimos, pessoais, para escrever. Também econômicos, não minto. Ambos suprem uma necessidade básica minha: a existência – ou a continuidade. Não fosse isso, mais algumas coisas de que me abasteço, provavelmente não estaria mais aqui. Não, não sigo um roteiro. Escrevo assim, do nada. Quando não vem direto da cabeça, pesquiso. Para um cronista, ainda mais diário, são necessárias as ditas pautas. Assunto, tema. Precisa-se ter o que, e sobre o que escrever. Assuntos existem de monte, assim como as palavras. O problema é transforma-los em linguagem escrita, com certa coerência. Eis a arte do cronista e de qualquer escritor. Um erro gramatical aqui, outro ali. Uma falta de concordância, uma verborragia... Abdico um pouco da linguagem mais literária, que é a minha preferida, pelo tempo e devido ao fato de aqui, eu escrever crônicas. Mas isso não impede que a linguagem tenha certo tratamento, digamos, literário ou poético. Agora por exemplo, escrevo sem a mínima organização das idéias. Esse texto está sendo construído espontaneamente. Isso também anda acontecendo com meus textos mais literários, que geralmente são publicados aqui na Quarta-feira. Se eu precisar de tempo pra isso, já era! Isso, de certo modo, empobrece um pouco (ou muito) minha linguagem e o teor literário e/ou poético dela. Por outro lado, torna o texto mais direto e fluente para quem vai ler. Sem rodeios, floreios ou firulas. E se tenho o que dizer (no caso, escrever), é porque meu acesso ‘às leituras’ é amplo e diário. Me alimento de livros, jornais, revistas, sites, blogs, cinema, música, fotografia, artes visuais, do cotidiano lá fora. Das ruas. Do mundo. Isso confunde? Sim, e muito! Mas também gera possibilidades, conhecimentos e interpretações. Ao contrário dos fundamentalistas ou deterministas, torno meus textos uma extensão do que vejo e ouço por aí, sempre desconstruindo verdades (pelo menos tentando). Nem sempre consigo, é certo. Tento sempre me projetar além da moral. Tento! É uma luta constante. Entre um papo furado e outro, algo cria sentido – ou perde. Um pouco de divagação, um pouco de história, filosofia, literatura. Um pouco de sarcasmo e... tcham, tcham, tcham, tcham! Eis mais uma crônica. Já não é minha. É sua. É do mundo...
Zines: produções escritas & visuais independentes
fotos do meu acervo pessoal (os que restaram de anos de movimentação)
antes, muuuuuuito antes dos sites, dos blogues, do facebook ou orkut, antes dos jornais e revistas, era assim que eu publicava.. não só eu.. uma 'rede' de comunicação 'alternativa', underground, independente, através de cartas pelo correio, acontecia.. e ainda acontece, até hoje.. são os zines ou fanzines.. tipos de 'revistas, panfletos, manifestos ou jornais' escritos, geralmente em xeróx ou impressão gráfica.. enfim. eis o mundo da comunicação livre!
Entre marchas e manifestações: os ícones, o espetáculo...
Ser rebelde está na moda. Ser bonito ou bonita e rebelde, mais ainda. Ser rebelde, bonito ou bonita e jovem é tudo! A ideologia liberal-capitalista através da indústria da cultura se apropria da imagem, do discurso, das bandeiras da ‘esquerda revolucionária’ e torna isso parte do seu espetáculo. Depois é só adaptar o discurso e ‘Viva a democracia!’. ‘Aqui, debaixo dos nossos braços e sob o nosso olhar de falcão, TODOS têm seu espaço!’. ‘Venham!’ - Eis a sociedade do espetáculo! Eis a garantia de paz. Paz pra nós – e a nossa paz é a nossa garantia de continuação, a manutenção das nossas idéias, dos nossos interesses, da nossa prática, do nosso mundo. Mundo liberal de economia capitalista e moral judaico-cristã. Nossas heranças gregas e romanas, cristãs medievais, iluministas protestantes burguesas, científicas racionalistas. Esse marasmo de conceitos já vulgarizados, velhos, hipócritas conceitos. O tempo passou e a ordem ainda é a mesma. Estacionamos e esquecemos-nos de transitar. Acomodação. Estupidez. Falta de coragem pra contestar e prolongar a vida. Medo. Atrofiamento físico-cerebral e intelectual. Crença. Não sabemos viver sem nossas referências, nossos ícones, heróis, semideuses, exemplos vivos. Imitamos, reproduzimos e assassinamos a possibilidade de criação. O dadaísmo nos amedronta. Do Caos nem queremos ouvir falar. Banalizaram tanto essa ‘não condição’, esse movimento de transformação, que passamos acreditar que ele é ‘um mal’. Vemos o mundo por um viés dualista. Pra nós, tolos, existe o bem e o mal. O certo e o errado. Almejamos um ideal, ou ‘o ideal’. Mas ele existe? Confundimos idealismo com vontade de transformar, de lutar, buscar e viver. Confundimos idealismo e alienação com utopia e as possibilidades, as alternativas. A bela e jovem líder estudantil chilena Camila Vallejo ou a gostosa e jovial escritora argentina Pola Olaixarac, virando ícones desse espetáculo. E já não importam suas ações, suas obras, suas práticas, seus objetivos, suas palavras. Importam elas. Suas imagens e o que representam a nível espetacular. George Orwell escreveu um livro chamado ‘1984’, onde o Big Brother vê tudo e manipula a todos. Talvez não seja ‘beeeeem’ assim hoje. Mas um pouco disso, certamente é, e esse pouco, talvez seja maior do que o resto. Confuso? Ótimo! Assim eu deixo pouco espaço para a conformidade...
Novos ‘assuntos pop’ pelo ar
Não, Neymar não é Ronaldo (ou Ronaldão, ‘o gordo’) – e nunca vai ser, é óbvio! Ele vai ter que correr, soar e jogar muito ainda pra chegar lá. Fazer muitos gols. Ser mais na dele. Crescer. Flertar com travestis (opa, isso é opcional). E enquanto bueiros explodem por aí, a seleção brasileira de futebol, o ‘orgulho’ nacional, segundo Mano Menezes, joga bem (bolas longe do gol). Objetos não identificados lançados no espaço. ‘A revolta dos bueiros’. Ou, ‘O atentado dos bueiros terroristas’ (dá nome pra filme hollywoodiano, não dá?). ‘Chutes para a lua’ (também um bom título). Ficção científica. Como aquele jogo de pênaltis desastrosos contra o Paraguai na Copa América. Assim o Brasil cai um pouco, mas só um pouco, na real. Neymar baixou um pouco a crista. Mas só um pouco. Ganha bem. Até demais pra se deprimir. Portanto, uma derrota, por mais vexame que seja, não vai fazer muita diferença. O que foi (ou é?) aquela (essa) seleção? Ao invés da seleção do Brasil, é a seleção da Globo, da Nike, do Ricardo Teixeira. Mas não deu, ‘que tristeza!’. Fiquei deprimido. Naquele domingo, enchi a cara. Fiquei como dizem, descornado, inconformado e cheio de frustração. Sou torcedor. Sou brasileiro, ué?! Mas Herman, qual foi o motivo da derrota? Não sou analista futebolístico. Mas já que quer saber, respondo com uma frase dita/cantada por Raul Seixas: ‘Muita estrela pra pouca constelação!’. Naquele (nesse) time, recheado de ‘famosos ídolos-ícones ricos’, tem muita pompa, muito status pra pouca bola, saca? É por aí. E viva o Paraguai! Eles vibram quando nos vencem. Assim como muitos ainda vibram zombando de los hermanos por aquela degradação humana que se chamou de Guerra do Paraguai. Brasil, Argentina e Uruguai, covardemente, quase dizimaram a população paraguaia. E ainda tem gente que acha isso grande coisa. Mas o ser humano não me surpreende mais. Então, esperar o que de ‘consciências’ ufanistas como estas? Nós temos aqui o bam-bam do Neymar (ta, e daí?). Eles tem a Maria Chuteira da Larissa Riquelme (dã!). Sou brasileiro, mas ainda fico com a segunda opção (isso, se tivesse que escolher uma). É a minha lógica masculina. Sempre prefiro as mulheres, por mais escandalosas que algumas possam ser... E os bueiros continuam explodindo.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Mocinho ou bandido?
Moro em Xapecó, no ‘Velho Oeste’ catarinense - e entre mocinhos e bandidos, existem aqueles que não se enquadram nesse dualismo. Eu sou um deles. Me aceito e sei um pouco da profundidade dos meus passos – e de quão tortos ou ébrios eles são. Sou um homem de menos de meia idade num corpo jovem quase adulto e com uma mentalidade de velho-criança. Tenho 90 anos de idade na cabeça, somado a minha criancice poética – e sei que tudo isso é meio relativo, subjetivo & metafísico. Tenho olhos de criança para o mundo. Crianças têm olhos vivos. Jovens, olhos de confusão. Velhos têm os olhos do tempo. Adultos... olhos (muitos, pouco enxergam. Outros, não enxergam nada). Velhos e crianças cometem erros, pequenos delitos em forma de desvios. Condutas que escapam daquelas moralizadas pelo mundo burocrático anti-poético dos adultos. E eu, como um velho-criança, também estou completamente vazio disso tudo. Ainda tentam me curar. Ainda tentam me ensinar dos valores que mantém todo esse ‘jogo de azar’ que é o mundo adulto. Mas não adianta, eu não aprendo. Sou péssimo em aprendimentos. Tudo aquilo que tentam me imprimir eu transformo em incompreensão e esquecimento. Se aprendo, aprendo experimentando. Minhas opiniões são opiniões de quem vê o mundo pelo viés caótico. Não consigo reprimir meu pensamento em teorias e morais. Em verdades estabelecidas. A dúvida é o meu começo. Meu fim, a morte. E eu aceito. Endento que ela também faça parte do percurso da vida. É a chegada. Sem a chegada não há largada, e sem as duas, não há corrida. Ando devagar (pois já tive pressa), pois não acredito no conceito da vitória. Todos são derrotados no fim – e todos também são vitoriosos. Portanto, quando alguém faz a besteira de dizer que ‘bandido é bandido’, naturalizando a coisa, eu tenho que questionar (sou criança, lembram?). Já escrevi em quadro negro: “Ninguém é mocinho ou bandido o tempo todo”. Depois apaguei as luzes e fui sonhar.
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