domingo, 20 de novembro de 2011

Eu animal ‘colonista’ social

Eu sou um animal. Um animal pop. Além de dar aulas de história, filosofia, linguagem, produção textual, redação e literatura, escrevo maldições literárias (ou não) num jornal, num blog; componho e toco guitarra numa banda de rock, tiro e queimo fotografias, me arrisco em alguns movimentos de kung-fu, como e bebo bastante, entre outras funções. Também já fui capa de revista (Globo Rural). Já me confundiram com um colunista social, mas nunca com um astro do rock xapecoense ou um escritor xapecoense dos bons - mas aqui tem disso? Bem, não vem ao caso! Sou um animal, assim como você, e estou montando uma nova revista na cidade onde serei o ‘colonista social’. Sim, uma revista aqui da roça, lugar onde moro e tenho orgulho (por acaso alguém já veio aqui em casa pra duvidar?). Pras minhas fotos pousarão muitas personagens, principalmente as do mundo animal. Bois, boys, vacas, galinhas, zebrinhas, veados, garças, asnos, antas, jacarés, morcegos, cobras, baratas, tigres, gatas, cachorros, lagartos, minhocas... Uma diversidade. Como uma fauna de verdade deve ser. E esse mundo por acaso não é uma fauna? Encontramos bichos de tudo quanto é tipo. Os peludinhos e os sem pelo algum. Os amáveis e os bravinhos. Os bonitinhos, os mais ou menos e os feios. Os que inspiram confiança, os que inspiram medo e os que inspiram nada. E que bom que é assim, não é? Nunca faltarão animais gentis (outros nem tanto), em poses para o meu magnífico click. Eu e meu olho mágico de artista conceitual-contemporâneo-vanguardista. Sou o melhor fotógrafo de celebridades da fauna xapecoense, disparado! Não tem pra ninguém! Nem Tiago Freitas, Antonini, Digão... Ish! Nada disso. Eles que se acostumem! Minha polaróide já está no concerto, a ponto de bala. Vai ser um escândalo. Notícia na televisão que, as propagandas publicitárias do shopping Pátio e da Efapi 2011, vão parecer piada. Vou vender anúncios como ninguém nem como nunca. Todos vão me querer no seu plantel. Sou um animal determinado. Um lobo que habita as estepes por aí – e nessa solidão, tenho tempo e espaço pra pensar e criar meus meios. Astuto e com muita energia pra gastar com suas presas. Me transmuto fácil de lobo pra falcão. Assim dou meus rasantes. Assim, vôo sobre os abismos que um tal de Nietzsche deixou como perturbação humana. HGS, o ‘colonista social’ é pop! Animaaaaaal! E pros daqui que vão pro litoral e dão as costas pra sua origem, vai o meu recado: “Você pode até ter saído da roça... Mas a roça nunca saiu de você!”.



Pesadelo olfatório















Ontem dormi ao volante. A sua imagem dependurada na parede da minha memória. Minha embriaguez em alta velocidade. O mundo se apagando a minha volta. Por algum momento abro os olhos sem voz e imóvel. O tempo passou. Não há ninguém pelo lado de fora, apenas o branco do teto, das paredes e da sua pele. Alguns perfumes, algumas vozes enfraquecidas e trêmulas me parecem familiares. A bebedeira foi tanta! Não dei conta de todo o álcool que ingeri. Eu que nunca fui disso, tinha uma máquina motorizada em minhas mãos – e sob meus pés. Acelerei o que pude nem me dando conta do mal que poderia ter causado a alguém. Mas por sorte ou alguma providência divina ou mesmo por um destino bondoso, acabei me arrebentando sozinho. Meu coração batia com tanta violência que parecia querer saltar do peito. Os motivos? Meus motivos! Num ímpeto suicida de inconsciência, atuei como um burguesinho irresponsável. “Quer se matar? Pule de uma ponte ou se pendure em qualquer lugar pelo pescoço. Mas não comprometa outros no seu ato de desespero e covardia. Se foi derrotado pelo mundo, admita, a derrota foi sua, só sua, mais de ninguém. O mundo prossegue e ainda há gente nele, inclusive, gente querendo ir adiante”. Mas eu não fiz por mal. Não fiz por um egoísmo, vaidade, arrogância ou algo semelhante. Foi a velocidade. Foi o cansaço. Foi a embriaguez. “Não! Não adianta! Isso não é pretexto”. Fui mesmo um idiota! Movido por um espírito de morte, ou sei lá o que, fiz o que fiz. Agora pago. Ainda bem, não envolvi ninguém diretamente e fisicamente nessa deterioração. A culpa é toda minha, eu sei. Admito! Meus olhos foram se fechando devagarzinho, no ritmo da música que eu ouvia, e eu fui me envolvendo, me envolvendo... Quando fechei os olhos pude te enxergar. E só havia você no caminho. Nenhum outro carro, nem um muro ou poste - você! Só você! Minha agonia, meu desespero, minha dor. Eu que nunca gostei de correr. Eu que não tenho fixação por carros. Eu que nunca quis me matar ou machucar alguém. Eu que nunca havia dormido ao volante antes. Eu que quase não bebo. Eu que nunca havia morrido de amor antes. Aqui é tão escuro e não tem ninguém. Só a sua imagem. Não tenho visão, não tenho fala, não tenho voz. Mas ainda me resta um pouco do olfato. O seu, o nosso aroma, que agora se dilui e se mistura com outro. Um cheiro de vela se propaga no ar...



domingo, 13 de novembro de 2011

Olha o golpe! (ou 'o pão dos patrocinadores e da TV.. o circo do povo')

“Essas lutinhas de bicha!”. “MMA o cacete!”. “Aquela macharada musculosa, com cérebro e corpo de academia, enrustidos de uma figa!” - assim é a indignação de Pablo. Em determinados aspectos concordo com ele. Até o entendo. Toda vez que acesso a internet, lá estão eles. Aqueles lutadores cheios de músculos e pelados (no sentido ‘sem pelos’ – até parecem artificiais!), dando porrada pra tudo quanto é lado. Porque tentam nos enfiar goela abaixo esse ‘espetáculo’ de horrores? Porque não botam mulheres dançando, pulando, cantando, sei lá! Mas não aqueles musculosos suados se agarrando no chão. Um esporte que deve render muito, além de influenciar a gurizada. Culto ao corpo, maldita herança grega. Vende-se uma idéia falsa de saúde e beleza. A saúde está mais na cabeça do que nos músculos e a beleza mais nos gestos do que no aspecto meramente físico. Existem pessoas que, quanto estáticas, são uma beleza, mas basta um único movimento para que a ilusão se desfaça e a tragédia venha à tona. Antes fossem estátuas, esculturas, mas não seres animados. O MMA, ou Vale Tudo (mudaram o nome por causa da má impressão que ele carrega, não foi?), tornou-se uma ‘modinha’, como tantas outras no país do ‘faz de conta’. Me intriga saber que algumas pessoas que se acham e/ou se dizem ‘críticos’, ‘pensadores’, ‘rebeldes’, ou pelo menos, posam como tal, estarem entusiasmados com esse tipo de ‘espetáculo’ midiático. Mas isso também não me espanta. O ser humano vive de paixões. Eu mesmo sou um apaixonado. Dos piores. Quando amo alguma coisa, é foda! Só eu sei. Mas isso não! Gostar de ver essa macharada se comendo na porrada, não é pra mim. Sou mais um ‘kungfuzinho’. Antes, uma rinha de galo. Vale tudo não. Mas, existe gosto pra tudo, não é? Pablo se irrita com isso, se revolta, solta o verbo. Eu não tanto. Só faço minhas considerações escritas e/ou verbais nesse sentido. Não me estresso com isso. Mas isso também não significa que não tenha opinião sobre essa ‘moda’. A luta em si, até respeito, apesar de achá-la esteticamente pobre ou feia, e de uma técnica pouco apurada. Pra quem já foi encantado e praticante de artes marciais chinesas como eu (kung-fu e Tai chi), essas lutas são a vulgarização do que se chama arte marcial. Mas não se revoltem, essa é apenas a minha insignificante opinião. Podem discordar de mim - ou vão querer sair no braço por acaso? Pablo já quis. Mas por bem menos. Mas eu, eu só luto com as armas que disponho. E elas não são físicas... A palavra pode ferir mais do que um golpe bem no meio do focinho.



sábado, 12 de novembro de 2011

um poema resiginificado - parido em algum inverno passado...

Solidão Velada (ou Morte na Solidão)

Ouço lá fora o canto da chuva. Ela se foi...

O dia acordou cinza e eu sem cor

Perdi meu sorriso em plena segunda-feira

 

Aqueles dias no campo...

Como me dói a lembrança!

 

Meu olhar torpe mira o infinito em busca de alguma explicação

Mas não há o que explicar, tudo está tão claro

Ela se foi e eu a perdi - tão simples...

 

 

Amigos, parentes e até inimigos vieram

Alguns me observam com carinho

Outros com medo e desconfiança

Me parecem todos iguais, todos culpados

Todos como eu, impotentes e fracassados

 

Eu, na mira dos demais

Servindo como depósito dos rancores alheios

Olhares suspeitos cheios de vingança

Dor e desprezo, misto de sentimentos perdidos

Assolados pelo frio que nos condena

 

Blasfemam sem a menor precaução

Eu ouço e me movo, tento escapar do veneno

Mas ele me chega amargo e mortal

E eu morro...

 

Morro a cada passo dado

Morro sem mágoas nem ressentimentos

A cada segundo que passa

Um fragmento de vida que se desfaz

 

Desapareço...

 

Atravesso as paredes e me junto à solidão...

 

Volto e a vejo pálida,

Deitada na madeira e cercada de estranhos

Que em prantos lamentam a ocasião

 

Há um pano preto sobre o espelho

Algumas velas se apagam

A escuridão retoma seus espaços

 

O cheiro das flores mortas enche a sala...

 


                                                        Herman G. Silvani

























"Je Vis Dessus le Contour Vaporeux d'une Forme Humaine", 1896 - obra de Odilon Redon

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O dia depois de ontem...

                                                                                                
                                                                          ao som de Pixies (Where is my mind?)

É, o mundo acabou! A partir de agora passamos a viver na irrealidade. A cada fim de mundo eu renasço. Ano que vem tem de novo. Será 12 do 12 do 12. O fim marcado para as 12horas. Mas este ano, tem mais um fim. Dizem. 21 de dezembro, se não me engano. Um outro fim. Os apocalípticos de plantão já estão correndo contra o tempo. Decerto não sabem os tolos, o tempo é quem decide, sempre. Os arautos do apocalipse, os pregadores do fim, estão aí, sempre em volta enchendo o saco com isso. Mas realmente, o mundo acabou. Olhe para seu lado e veja quanta irrealidade há no mundo. O real só existe por causa dos conceitos. Tudo o que conhecemos, e só o que conhecemos, se conhecemos é devido ao conceito que criamos pra isso. Confuso? Sim. Confuso assim como tentar explicar o motivo das coisas vivas. As mortas, bem, essas morreram. Gosto do número onze. Sempre gostei. Desde criança. Nem sei por que, mas gosto. Hoje eu renasci. Aliás, a cada dia em que acordo renasço: “Opa! Acordei!” – digo pra mim mesmo. Acordo e o dia sorri pra mim. Agora basta eu retribuir. Não, não vou tornar esta crônica uma mensagem de auto-ajuda. Não se preocupem! Alguns podem estar até pensando: “Ah! Que pena!”. Mas isso não é pra mim. Não que eu seja alguém negativo (aliás, se fosse, nem gastaria meu tempo escrevendo tanto assim, na tentativa de mover algo do seu lugar), mas essa pretensa alegria, essa felicidade caricata, não faz meu estilo. Prefiro a zombaria, a alegria caótica do bufão, a felicidade espiral daqueles que não se disfarçam. Deixe o ideal para os idealistas. Deixe o discurso para os discursistas. Deixe a moral para os moralistas. Eu opto pela contradição, pelo caos meu de cada dia, pela alegria criativa e instável de ser. Somos todos vulneráveis e é a natureza que grita em nós, e nós calamos a sua boca para que não acordem os anestesiados do coma social. O fim do mundo é uma promessa. Uma falácia religiosa para que o medo recaia sobre as cabeças menos pensantes. A busca do paraíso através do sofrimento e do comodismo. A imagem do Cristo chicoteado carregando a cruz. Os fiéis o imitam. Os fiéis o veneram, idolatram, mas no fundo, vivem no escuro da razão. Movidos pelo medo da perdição, buscam a salvação através dessa luz. O fim é uma ameaça constante daqueles que rastejam e querem levar com eles todos os outros. Nem sabem os tolos, mas fazem sua própria condenação...

12/11/11.




















"As coisas que você possui, acabam possuindo você" (O Clube da Luta)


hgs.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Liberdade de informação?

Julian Assange e o WikiLeaks estão a perigo. E agora? Onde estão os arautos da informação livre? Meios de comunicação e jornalistas que discursam a dita ‘liberdade de imprensa’, ‘informação livre’, e etc. Manifestem-se! Reajam! Ou tudo não passa de falatório? Discurso? A acusação que recai sobre Assange, o mentor e principal força do site WikiLeaks, é no mínimo questionável ou suspeita de tentativa conspiratória. O cara se meteu com ‘peixes grandes’ e agora está pagando. Grandes corporações e seus governos capitalistas estão tentando a todo custo acabar com Assange e o WikiLeaks. Se realmente, os meios de comunicação de massa se importassem com uma comunicação, uma informação livre e comprometida com o social, seria agora à hora de se manifestarem contra essa tentativa de poda, censura, perseguição e aniquilação do WikiLeaks. Mas não. Essas empresas de comunicação estão sob o julgo e interesses dessas corporações, dessas empresas poderosas e seus governos corruptos e ideologicamente mantenedores do sistema – desse sistema, que tanto discursam contra. Até a revista Veja saiu com uma capa onde se demonstrava ao lado das manifestações contra a corrupção no país. Mas quem é a Veja? Quem está por trás dela? Não sei. São apenas perguntas de um homem curioso que precisa ter uma crônica publicada por dia no jornal, cara pálida! Parte de parte do meu ofício. Coisas que só a ‘democracia’ permite – né?! E ‘viva a democracia!’. Amém! Mas é isso, vamos lutar por essa condição ou não? Condição de ‘liberdade’: Iluminismo, Revolução Francesa, Liberalismo, e toda aquela coisa que predomina na nossa cultura ocidental até hoje. Mas o quanto disso tudo é realidade? O quanto disso tudo é só discurso? Não sei. Mas, é questionável, no mínimo. Quem acredita e qual é a relevância de Assange ter cometido mesmo algum ‘crime’ de ordem sexual? Isso diminui a importância de quem ele é para o mundo da informação, da comunicação? Por quê? É o discurso acima da velha e maquiada moral tentando submeter o que é realmente relevante. Daqui um pouco, isso tudo desaparece e fica no esquecimento – levando em conta a miserável memória de grande parte da população, que segue modismos e tendências, que acredita cegamente nos meios e é condicionada a não duvidar, questionar, pensar - apenas crer e seguir. Assim é que se mantêm as ‘verdades’ intocáveis – e o modo de vida, a moral, as crenças e costumes, numa razão forjada para o privilégio de poucos que, maquiavelicamente, dão as cartas do jogo.



Indicações humanitárias & solidariedade...

tá deprê? indico! baita auto-ajuda!



sofre de surtos politicamente-corretos? indico!


- carona!!!

Interação...


















                                                    


São raios que caem com fúria do céu e atingem de cheio nossa melancolia.
O mundo onde proliferamos e geramos vida - e geramos morte.
Estamos sós & desolados, como um animal ferido que se esconde para morrer – ou como um certo lobo da estepe.
Estamos juntos e aromáticos, como um jardim de flores vivas.
Esfacelados na nossa própria paixão, pelo nosso delirante amor, nesse vasto campo de batalhas. Você, eu e você. Nós!
Não haverá vencedores, por isso não deveria haver batalha.
Essa guerra não é nossa – nem essa paz!
Só possuímos a nós mesmos, nossos corpos. A pele que habitamos.

- Eu tombaria sorrindo. Encontraria o chão.

São estragos de bala num coração esfacelado por dois furos de loucura.

Caído em descanso, como os trigos já secos dessa plantação, eu receberia as melhores notícias dos seus doces lábios.
Saberia que a guerra acabou e que estamos livres de toda a opressão, finalmente! Ouviria da sua voz uma tentativa afinada de melodias - como da primeira vez, lembra?
Ou você puxaria minha mão, e numa parede numa noite embriagada de festa, com um beijo me transformaria noutra coisa – pularíamos todos os muros do mundo em busca de refúgio onde pudéssemos apenas ‘ser’.

Nossas almas de poesia. Nossa música dissonante. Nossa torpeza para com o mundo. Nossas cicatrizes beijadas como cura.

Um e outro trago de vinho para nossa mistura na noite.
Um e outro veneno para que tudo não passe a ser puro demais.
Nossa contaminação...

Nossas afinidades e diferenças nos fazem melhores.
Superamos assim a raça dos medíocres, dos congelados na moral,
filhos do medo e de toda a conformidade.

Eu te abraço com cuidado, carinho e com força & o mundo todo para ao nosso redor. Estamos ébrios nessa sobriedade que nos cerca.
Nos querem todos iguais, como máquinas, como frutos de uma mesma árvore.
Mas até os frutos de uma mesma árvore são diferentes.
E nessa multisonora resignificação dos nossos anseios e aspirações,
quando nossas mãos se tocam entrecruzando os dedos - e com o calor dessa interação, nos vemos enfim - como partes de um todo, onde esse contato, esse atrito, essa transformação, vira o mundo pelo lado avesso, tornando tudo mais tolerável.

& eu fecho os olhos e posso dessa forma enxergar...

duas crônicas mundanas publicadas no Voz do Oeste por este que vos perturba a paz de espírito

Quanto vale o seu intelecto?

Que história é essa da academia brasileira de letras homenagear o jogador Ronaldinho Gaúcho com a medalha ‘Machado de Assis’? Não sabia que o dito cujo escrevia. Ou não escreve? Ele não é jogador de futebol? Mas isso também não é surpresa. A academia brasileira de letras, há tempos, tem atitudes medonhas, de uma miséria cultural se precedentes! Ter o ex-ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) sentado numa das suas cadeiras, já explica muito dessa ‘academia’ (ou é o Collor de Melo? O Itamar Franco? O Sarney? Agora me confundi! Mas vamos em frente!). O grande poeta gaúcho, mestre no lirismo e dono de uma linguagem simples, porém profunda e inteligente, Mário Quintana, teve negado seu ingresso nessa academia. Tudo, porque ele era escritor - decerto! Talvez, se fosse um político falcatrua ou um jogador de futebol que ganha seus milhões por ano, teria sim seu banco lá reservado. Depois de ser enxotado da academia, veio o convite. Mas Quintana como um bom poeta (gaúcho ainda por cima – hehe!), na sua coerência, disse um sonoro ‘NÃO!’ ao antro dos intelectuais (muitos, intelectualóides!), ícones desse Brasil que tem como maior sucesso de vendas em ‘literatura’ um sujeito que escreve coisas exorbitantes, exotéricas, astronômicas. Vocês conhecem o Paulo Coelho? Pois é. Mas não é só aqui. No mundo todo, a literatura ‘quase fantástica’, mirabolante, divagante, onde vampiros, cavaleiros templários, garotas tristes e aquele arsenal de vazios se misturam ao bom mocismo de algum personagem redentor, onde linguagens que retardam e ignoram certa poética tão necessária a arte literária, deixam pobre a própria linguagem, a profundidade da estória, as palavras e frases. E a literatura passa a ser algo meramente alegórico, mercadológico, quando não, ideológico, perdendo assim seu poder artístico e criativo. E é esse tipo de literatura que predomina no mundo dos negócios, do dito mercado cultural. Diariamente vejo jovens e adolescentes com livros desse tipo nas mãos. Pobres criaturas! Queimem todo esse lixo! Existem grandes obras esperando para serem lidas por vocês! ‘Mas Herman, quem é você pra falar desse jeito?’. Sou o maior intelectual brasileiro dos últimos anos – depois do Ronaldinho Gaúcho, é claro!


11 Maneiras de se manter a sanidade num ímpeto de loucura

Numa crônica anterior eu falava do maior intelectual brasileiro que eu sou depois do Ronaldinho Gaúcho que foi honrado com o prêmio/medalha ‘Machado de Assis’ pela nossa insigne Academia Brasileira de Letras. É tudo a mais pura verdade, acreditem! Amém! Mas não só de ‘academias’ vive a intelectualidade brasileira. Temos os blogs também (e seus blogueiros, é claro!). Muito filósofo pra pouca ou nenhuma filosofia, isso é o que é! Como diz um amigo, meio cão, meio poeta, meio-meio: ‘Xapecó é uma cidade de muitos poetas e nenhuma poesia’ (e a rede está cheia desses enroladores burocratas e discursivos). Vou lançar um livro e espero que vocês comprem (só não sei quando), pois é pra vocês. Todos os meus cinco leitores vão poder ler com certo lirismo, admiração - ou nada disso - esse escriba que passa os dias entre um delírio e outro, algumas razões mal domadas, pólvora e muita palavra no papel. Uma rachadura. Um rabisco. Uma rasura. Uma ruptura. Sim, serei um escritor de sucesso, assim como dom Paulo Coelho ou Machado de Assis. Não, não estou comparando os dois. Se bem que... Ah! Deixa pra lá! Eu divago porque a divagação me faz bem – às vezes! Não, não estou bêbado. Só se chimarrão deixa bêbado e eu não sabia, aí sim! Pelo menos, acho que é erva mate que estou bebendo: “Ei Liza! O que é que você colocou nessa cuia?”. Acabo de voltar de duas aulinhas básicas. Um pouco de história, filosofia e música. Assim foram as aulas de hoje. Alguns alunos acham que eu bebo muito mate, e que ele acaba afetando minha memória. Sim, algumas ervas afetam mesmo, mas não a erva mate – não que eu saiba. Mas não é nada disso. É o excesso de informações o que às vezes me deixa meio desmemoriado. Desde criança leio muito. Placas, panfletos publicitários, cães que arriscam-se atravessando as ruas, certas caras de certas pessoas, certas palavras, certos aromas soltos no ar, revistas-livros-jornais, música... Aliás, me alfabetizei muito cedo em placas e outdoors nas rodovias, no tempo em que viajava bastante com meus pais, depois aprendi a realmente ler, além do que está registrado visualmente, e de lá pra cá, meus olhos e minha mente não pararam mais. Às vezes eu durmo. Às vezes me desligo de tudo (ou quase tudo – ultimamente ta difícil! Dio!). Acabo de cevar mais um mate. Vou bebê-lo antes que a água esfrie. Você! Hoje é segunda. Não se esqueça de folhar o jornal, pra frente devem existir informações preciosas, porque aqui reina a confusão - minha dose diária de Caos...



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Manifestando vulgaridades (ou 'a mediocridade nas redes sociais')

Divagando, navegando, rodando. A rede anda cheia. Cheia de vazios e outras frivolidades. Rede mundial de computadores. Internet. Tem peixe, tem tubarão, baleia e piranha. Tem muita tainha também - & ladainha! Tem tudo quanto é peixe. Para gostos distintos e diversos. Só não pesca quem não quer ou não tem a prática. A última, uma corrente no facebook, tirando onda com o ex-presidente Lula, sugerindo, com certa ‘ironia’ (ou arrogância?), que ele trate do seu câncer no SUS. Vejam só a profundidade e efeito desta ‘manifestação’ (se é que assim dá pra chamar isso). Se mostra mais um ‘ódio’ ao ex-presidente petista, esquerdista, ex-operário, o que for. Ódio ‘pequeno burguês’, como dizem alguns ‘marxistas’. Esse tipo de manifestação é daquelas que banalizam, vulgarizam alguns problemas reais – ou acham que isso vai mudar algo? Não, não vai. Vai é engordar o ‘espetáculo’. Hoje, tudo (ou quase tudo), é motivo para manifestações desse tipo: bestas, ignóbeis, medíocres, diminutas, mesquinhas. É a ‘democracia’ dizem alguns. Eu digo: é a falta de bom senso e racionalidade desse tipo de manifestante. Revolta ‘pop’, sem rumo, sem posição e com um sentido miserável. A miséria do pensamento. A miséria da ação. Mas é o limite que cada um tem. Cada um pensa e age conforme seu intelecto, suas informações, seu conhecimento, sua vivência, condição, contexto, e ‘capacidade’ de interpretação-compreensão. Então tá tudo certo. Será? Antes fosse. Mas nem tudo é tão relativo e aceitável assim. Universitários e/ou estudantes devem se portar como tal, e não como meros reprodutores de uma sociedade medíocre. Mas, temos o dito sertanejo universitário pra contradizer isso, não é? Esses manifestantes de uma figa! Acabam por banalizar tudo. E os produtores desse ‘espetáculo’ agradecem! Até a revista Veja tem se manifestado ‘contra’ a corrupção no país. Veja só que coisa! Quem está por trás da Veja pra isso? Utilizam-se de símbolos de ‘rebeldia’ para fazer de conta que estão do lado da ‘justiça’ e do bom senso. Assim, se encobrem as trapaças e o jogo sujo dessa mídia e seus defensores/divulgadores. São os símbolos da rebeldia usados para a vulgarização da própria contestação, onde tudo passa a compor o ‘espetáculo’. Enquanto isso, por debaixo do pano, o que realmente causa dano, acontece e passa despercebido aos olhos dos menos atentos. Eis a estratégia dos que mantém a situação sob controle – pra si, pros seus privilégios e vaidades...


Ser ou não ser, eis a questão!

Abro o jornal, a revista, ligo a tevê, o rádio, boto o pé na rua, e lá está ela, a publicidade, vendendo o seu peixe. Junto ao peixe, junto à mercadoria ofertada, está a idéia. Se não se vende a idéia, pelo menos se induz a pensar daquele jeito, ou seja, do jeito que a propaganda intenciona. E é pra isso que também serve a publicidade (vejam como estou sendo generoso). Muito discurso, retórica, técnicas de convencimento. Como ‘professor’, me inquieta ver propagandas sensacionalistas e hipócritas, que oferecem um serviço ou algo ligado a construção do conhecimento humano e a uma dignidade, a um bom senso de vida, de forma banal. Muitas escolas e faculdades utilizam-se desse discurso publicitário como chamarisco, assim como uma igreja faz para ter a atenção dos seus fiéis. Mas estudantes não são os fiéis (ou pelo menos, não deveriam ser). Estudantes não são meros consumidores de produtos efêmeros (ou pelo menos, não deveriam ser) – já que o conhecimento não é um produto efêmero de mercado. Descaradamente, o discurso de concorrência e justificativa de um dito ‘sucesso’, de algo que se diz ‘bem sucedido’, é vinculado na mídia até pelas instituições de ensino. ‘Somos os melhores!’. ‘Os que mais aprovam no vestibular’. ‘Temos os melhores profissionais’. ‘Somos o diferencial’ – e blá, blá, blá... Chega-se até vincular a educação com a imagem e conceito de belo, este conceito de beleza e de culto ao corpo, de influência grega, que tanto vende e aparece nos programas medíocres da televisão (leia-se big brother, a fazenda, legionários, entre outros...). Pessoas bonitas, mulheres ‘gostosas’, desfilando seus corpos em trajes de apelo sensual (quando não, sexual). E o que isso tem haver com a educação? Com o conhecimento? A publicidade capitalista e ordinária vincula isso aos produtos de mercado para insinuar ao consumidor ou ao jovem que vai escolher determinada instituição de ensino, que isso é o melhor para ele. Lá vão ter pessoas bonitas, que caminham para o sucesso profissional. E os pais também caem nessa, talvez, por almejarem isso aos seus filhos, não sei! Querem convencer a quem com esse papinho? Escola ou faculdade são locais de estudo, de construção do conhecimento, de ciência, e não um mercado, um shopping ou algo que valha - ou pelo menos, deveriam ser...