sexta-feira, 13 de setembro de 2013

As forças que tramam

As forças que tramam querem
seu cadáver, imóvel, por debaixo do chão
pois seu corpo controlado
elas já têm

As forças que tramam querem sua paz
pois sua luta
elas nunca farão

As forças que tramam querem sua morte
pois sua vida
elas já têm

As forças que tramam querem
o esquecimento da história
pois a memória, essa,
elas nunca terão


*  Im memoriam




Rabisquei este poema (ou a tentativa disso), na noite em que soube do arquivamento do ‘caso Marcelino Chiarello’ pelo Ministério Público, sob inspiração de ‘mais essa história’ que se eterniza na ‘memória da cidade’, assim como foi no caso do ‘Linchamento que muitos querem esquecer’ (leia-se obra de Monica Hass). Daquela feita, já um poeta, Vicente Morelatto, escreveu em forma de ‘cordel’, versos em torno daquele fato. A história nunca se repete, porém, fatos se assemelham, onde que o tempo, mesmo passando, preserva seu sopro de continuidade...


* também publicado no jornal Folha do Bairro, 13/09



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Leituras do Cotidiano - 12/09

Educação para além da estrutura...























Não precisamos de escolaridade, de títulos, formalmente falando – mais do que já temos. É inútil aos avanços humanos e culturais, apenas ter. Precisamos de conhecimentos, aprofundamentos, possibilidades de olhares e pensamentos, acessos a esses ‘conhecimentos’, aos ditos ‘bens culturais’, principalmente nas periferias do Brasil. A dita ‘classe C’ cresceu, adquiriu certo poder de consumo dado a certo crescimento econômico do país. Mas, parafraseando a filosofa Viviane Mosé em uma fala sua: “não é uma boa roupa que caracteriza um desenvolvimento humano e sociocultural”. Nossa educação é ligada a produção. Mas não a produção do conhecimento intelectual, artístico e humanitário, mas a produção de bens e/ou produtos, facilitadores ou não da vida, do cotidiano, sob tudo, produtos de consumo. Novas tecnologias nos servem como alguns desses ‘facilitadores’, ao mesmo tempo em que são ‘dispositivos’ de controle (leia-se Giorgio Agamben), que em muitos casos, acabam nos limitando ao próprio uso dessas tecnologias, desses ‘dispositivos’, a serviço disso ou daquilo, mas não necessariamente da vida – que vai além do fator estrutural. Aí temos um amplo arcabouço de informações, o que, num primeiro olhar, nos parece algo bom, porém, essa quantia nunca antes tida de informações, não significa que tenhamos conhecimentos ou profundidade nelas. É preciso, acompanhando essas informações, conhecimentos que possam favorecer ou propiciar a elaboração de conceitos, idéias, fundamentos, possibilidades de olhares, para além do tecnicismo tecnológico ou do formalismo escolar. Segundo ainda Mosé, “o vilão da formação básica é a Universidade”, sendo que, é a partir dela que teorias são lançadas ao cotidiano (ou não), pelos que saem dos bancos acadêmicos rumo ao exercício das suas profissões - e entre esses, temos os professores que irão compor o quadro do que chamamos educação básica. Referente a isso, refaço os questionamentos de Mosé, frente ao discurso educacional atual que promove, não muito mais do que a estrutura: “Para que serve o ensino médio no Brasil? Qual é o seu sentido? Porque todo mundo tem que ir para a Universidade?”. Para uma saída saudável desse contexto reducionista, é preciso, antes de tudo, valorizar a cultura, as linguagens, as artes, o pensamento e a criatividade – para além do fator meramente econômico e estrutural. Mas, a realidade (assim como os investimentos necessários na educação) que temos ainda hoje, é formalizada, formalizadora e formalizante. Ela não dá conta de uma necessidade básica e fundamental humana: a construção de possibilidades culturais, artísticas e intelectuais, para além dessas formalidades e estruturas formativas técnicas. Depois da alfabetização a criança aprende gramática, e não interpretação ou leitura (leia-se aqui, leitura de mundo). Gramática é técnica, acessório, e não possibilidade de visão e ação sociocultural. Para se produzir textos e pensamentos com certa coerência, poética, sensibilidade, ideias, é preciso certo ‘conteúdo’, e para isso, acessos a certos conhecimentos. Eis o que a Universidade e depois a Escola, pouco cumprem, ao contrário, geralmente, engessam essas possibilidades com suas formas racionalistas e formalizadas de saber e agir, onde elas próprias acabam constituindo-se assim, em ‘dispositivos de controle’ ou ‘instrumentos de reprodução’. Portanto, o debate da Educação deve ir além da economia, da estrutura, dos métodos e técnicas. Ele precisa ter o teor do sensível e o sabor das inquietudes filosóficas e das dilacerantes aventuras poéticas.


(Inspirado na fala da filosofa Viviane Mosé no '2º Congresso Todos Pela Educação em Brasília', do dia 10 de Setembro).


* Também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 12/09




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Xapecó no cenário do pop nacional



















Desenvolvimento, progresso, evolução, civilidade... Palavras discursadas em excesso que se assemelham a um discurso religioso, ortodoxo, fundamentalista. Em torno do nosso aniversário de 96 anos, estamos bem na foto. Foto, inclusive, com atorzinho galã global, na cama, na rede social, os dois nus, transparentes como deveriam ser as nossas contas públicas. Homicídio suicidado arquivado pelo cansaço alheio: um mistério que um Ministério não deu conta. A polícia, a política a polidance. E dançamos conforme a música, com o ferro no meio das pernas. Tentativa de homicídio em plena luz do dia, segunda feira de ‘tradição, família, religião e trabalho’, amém! Cavalos com pedigree bem tratados, a alfafa é cara, mas alimenta, os matungos-pangarés que lambam a sola da bota do ‘coroné’, quem mandou ser trabalhador ou viver de rua? E na câmara dos lordes: Velhos que paguem seu transporte – mesmo que ele se diga público - que a minha gasolina tem preço no seu suor, que é o petróleo que move meu motor – paguem também com seus suores sangrados que ficaram nessa enorme construção. A cassação é um tiro ao longe, onde os cães ladram, mas não mordem. Mas, por trás da matilha talvez haja um lobo dos bravos que, talvez, tenha sua arcada dentária sem cáries, e alcance a caça com eficiência no cumprimento do seu dever que é devir. Enfim... estamos no topo, a qualquer preço, de qualquer forma, Xapecó é pop!  


* também publicado no jornal Folha do Bairro, 06/09




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Leituras do Cotidiano - 05/09

Xapecó é notícia... Xapecó é pop!

Depois do arquivamento do caso Marcelino pelo MPC (Ministério Público Cansado), da tentativa de homicídio de um assessor de vereador, da chapecoense que caiu na cama com o atorzinho global (não, não é o time, calma!) e que ambos caíram na rede social (de quatro?), entre outras, agora a nova e mais bombástica das notícias: ‘A cassação do prefeito!’

Desdobramento primeiro: 'Cabe recurso'. Pra variar, ‘sempre cabe recurso'. Somos nós quem pagamos tudo mesmo! Através do suor nosso de cada dia. E toda uma estrutura (essa sim 'corrupta’- corrompida) se alimenta disso. Eis o jogo desse sistema de 'faz de conta'. E nós? Bem, nós não somos 'semideuses' nessa 'mitologia'. Somos seres comuns, meros mortais, abaixo dessa estrutura, dessa ordem. Servimos bem para sustentá-la - e não vai muito além disso. Não veem que é um jogo?? É preciso sabotar quem dá as cartas - ou ser o curinga do baralho - ou, continuar perdendo...


E os (de)feitos prosseguem...

Vereadores governistas, com exceção do Cecchin, rejeitaram projeto de lei que prevê isenção do pagamento da passagem no transporte público municipal para idosos acima de 60 anos. Em contrapartida aprovaram projeto repassando mais de 100 mil para os cavalos de raça nos dias da Efapi. Nisso, tirem suas próprias conclusões...

O tempo passa e...

Tentativa de homicídio do assessor parlamentar Patrick Monteiro continua sem respostas?! O tempo passando e: nada! Parece que já vi esse filme em algum lugar...

A exemplo de Xapecó...

Em Bogotá, Colômbia, uma lei determina que ‘para cada condomínio construído, uma praça pública arborizada’. Em Xapecó, ‘para cada espaço arborizado derrubado, um condomínio luxuoso’ – eis nosso desenvolvimento, nosso progresso, nosso futuro... 



Para além das fronteiras de Xapecó, acreditem, há um mundo...


"Fidel Castro espalha médicos pelo mundo. Obama espalha soldados. Mas adivinha quem é o ditador sanguinário e quem é o Nobel da Paz?" (surrupiado da internet).


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 05/09



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Continuamos sendo...



















(fotografia do filme "Metrópolis" de 1927, dirigido por Fritz Lang)


Rua pra que te miro. Saio do quarto, atravesso o corredor que dá na sala, passo pela cozinha e saio pela porta de trás de casa. Ganho o pátio, saúdo meu cão que é anjo de guarda, saio pelo portão e ganho enfim a rua. Passos leves junto à solidão de um eu que em breve irá de encontro à multidão e fará, por alguns instantes, parte dela. Trabalhadores diurnos pegam o ônibus que os levará rumo à servidão que mata a maior parte do seu tempo e aos poucos, suas vidas. Consumidores chegam ao centro da cidade e confundem-se com os olhares de sorrisos plásticos das manequins de fibra ou gesso e são consumidos nessa consumação. Moradores de rua ainda dormem exprimidos debaixo das marquises - logo serão acordados e expulsos pelos comerciantes. E eu ando por que tenho passos e o chão debaixo deles ainda é viável, sob o policiamento das câmeras de monitoramento que me observam sem cessar. Estou protegido? Ou simplesmente vigiado? Sem respostas, mas com muitas perguntas, tomo o rumo da escola. A sala de aula é meu espaço de trabalho – um deles, no caso. Mais perguntas, mais questões e algumas respostas de poucas certezas. Em dias incertos de dúvidas constantes, o importante é não acostumar e continuar sendo, até que, essa coisa de futuro, se torne novamente presente, em que a vida seja uma condição e não apenas uma perspectiva...


* também publicado no jornal Folha do Bairro, 30/08



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Leituras do Cotidiano - 29/08

Entre a 'ditadura' cubana e a 'democracia' ocidental...















Além de estúpidos e medíocres, são mal informados esses seres de 'baixo nível' e muita renda no Brasil. Refiro-me aos médicos (e pretendentes a isso) que hostilizaram os profissionais da saúde cubanos que vieram trabalhar no Brasil. Não sabem os imbecis que o governo 'ditador' de Cuba utiliza a porcentagem do 'salário' dos profissionais de saúde cubanos pago pelo Brasil, para investir num 'projeto internacional de saúde', onde seus médicos são pagos e estruturados para trabalhar em países e comunidades carentes (Angola é um exemplo) pelo mundo (além do investimento na saúde do povo cubano e dos necessitados que lá vão se tratar 'gratuitamente'), pois saúde, assim como educação, em sociedades 'evoluídas humanamente' (e que não se escondem atrás de um discurso 'democrático'), não tem preço. Não, não consegui essa informação pela Globo ou pela Veja. Li em fontes confiáveis e ouvi da boca de um próprio cubano, Carlos R. Almaguer, da ‘sociedad cultural José Martí’ - e quem é José Martí? Certamente os medíocres que hostilizaram os médicos cubanos, não sabem. E saber que os hostilizadores lidam ou vão lidar com gente, com humanos - tendo uma atitude, educação e postura dessas? É amigos, esses 'profissionais' da saúde brasileiros, em primeiro lugar, precisam voltar pra escola e aprender como se lida com gente, antes de aprender técnicas, ganhar dinheiro e status por vestirem um jaleco branco.


Xapecó e o progresso... da impunidade, da injustiça e da vergonha!

* Caso Marcelino arquivado pelo ministério público, depois de mais um laudo que apontou homicídio. E a ‘novela’ se arrastou - pra isso? Outra feita, neste mesmo espaço, cantei a pedra de que, algum dia alguém ainda vai escrever, a exemplo do ‘linchamento que muitos querem esquecer’, num futuro não tão distante, um livro que se chame: 'O suicídio que muitos querem esquecer'? ou 'O homicídio que muitos querem esconder'? Ou ainda, 'A confusão que ninguém fez saber'?


* ‘Bolsa Alfafa’ aprovada pela maioria dos 'nobres' vereadores da nossa 'ilustre' câmara: uma verba pública de ‘100mil para criadores de cavalos de raça’. Projeto de quem? Dinheiro de quem? Nisso tudo, quem são os ‘cavalos’ que irão comer alfafa?

* Câmeras de monitoramento ligadas ou desligadas no momento da tentativa de assassinado do assessor de vereador Patrick Monteiro? Quando as polícias militar e civil vão falar a mesma língua por aqui? Incompetência? Questão política? E as investigações? E a justiça? Parece que já vi esta novela em algum lugar! Será que também vai virar mais um ‘caso’ ficando ao acaso?



* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 29/08



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crônica de um aniversário xapecoense

Indígenas, caboclos e euros descendentes, nessa mesma ordem de chegada –  cronológica, foram os primeiros habitantes que construíram modos, vidas e culturas nessa terra. Chapecó que já foi Xapecó: ‘o caminho por onde se vê a roça’, ou ‘o caminho da roça’, e que hoje é simplesmente: Chapecó (sem mais). A cidade cresceu e eu cresci com ela, em vários aspectos. Porém, contudo, mantenho algo de criança em mim. Meu riso e minha seriedade, assim como meu naco de sinceridade, são as mesmas da minha criancice ou do meu passado criançudo. Assim como outras cidades, outros chãos, temos nossa própria história e nossa memória. História de feitos e conquistas, de progressos e avanços. Também, história feita de dores e horrores. Dos incêndios, forasteiros e um ‘linchamento que muitos querem esquecer’, a outros fatos não menos intrigantes e mais recentes, Xapecó não desiste fácil de sua alcunha de ‘Velho Oeste’. E eu, em meu silêncio gritante (ou meu grito silencioso), acordo numa segunda-feira vermelha embebida em lâminas - como em outros momentos ao longo dessa história. E a memória é resistente e não morre nunca. A memória é repleta de cores e às vezes sem cor alguma. Assim como minhas palavras, meu ser, meu pensamento vivo e constante, paridos nessa cidade em que insisto habitar.


Parabéns Xapecó!
























* também publicado no jornal Folha do Bairro, 23/08




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Leituras do Cotidiano - 22/08


Xapecó, parabéns! Por sua memória...


















Xapecó, parabéns pelos seus filhos e pela nobreza deles. Filhos que estavam aqui antes mesmo da colonização e seus coronéis. Filhos de um Xapecó onde a violência não era rotina nem naturalizada. Tempo de índios e caboclos, e apesar dos coronéis, de euros-descendentes dignos de pisar neste chão (muitos ainda pisam). Xapecó onde havia um estádio chamado ‘Regional Índio Condá’, e que hoje, já sem o Índio, de ‘estádio’, virou ‘arena’. Arena que me remete pensar - historiador por (de)‘formação’ acadêmica - nas pelejas entre leões e gladiadores no ‘panis et circenses’ (do latim, ‘pão e circo’) do antigo Império Romano. Xapecó que já teve um dia, um significado em seu nome, que, ainda com ‘X’, apontava para um caminho: ‘o caminho da roça’, e que perdeu esse simbolismo por um ‘Ch’ ideologicamente implantado. Xapecó que tem seus primeiros habitantes (nativos), ainda resistentes, em suas aldeias ou perambulando pelas ruas asfaltadas por um progresso mecânico e frio, dos negócios e arranjos políticos, vendendo artesanato ou bebendo cachaça para suportar todo esse ‘frio’. Xapecó de um ‘linchamento que muitos querem esquecer’ - e que outros jamais poderão, pois nem conhecem. Xapecó de coronéis e mandonismos, de suicídios homicidiados mal resolvidos e mal explicados, confundidos, feitos novela – e memória (sempre ela, a eterna!). Xapecó que no segundo dia da semana que antecede seu aniversário, infelizmente, acorda com mais uma página da sua história tingida de vermelho. Apesar de tudo, ainda teremos o que comemorar (?). O orgulho que sai de um riso plástico e vai dar no crescimento comercial, industrial, material desse ‘Velho Oeste’ das estórias em quadrinho ou de algum bang-bang ‘a La Tarantino’. Braços fortes construíram essa história. Mas também, personalidades fortes, vivas ou mortas. Almas altivas, festivas e almas penadas – e a memória (ela!). Memória que não morre nunca, pois está viva em todos os ventos que sopram do passado e batem nos rostos dos habitantes mais leais e ativos desse lugar. E eu, filho do vento e da chuva, feito também de história, pensamentos, risos, chagas, penas e memória, me compadeço do meu tempo, como do tempo passado, pois sei que o tempo é isso, um ontem e um hoje bailando dentro e fora da música, em passos diversos, num baile ora divertido, ora macabro. Como tantos outros, também sou filho dessa terra, mas, mais que isso (e deixando de lado o orgulho forçado), sou filho desse país que se acredita ou pensa nação, filho do mundo, cidadão da terra. Xapecó, parabéns pelos seus dias e suas noites, pelas curvas da sua história, por sua, que também é nossa memória – sempre ela...


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 22/08/2013



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Unochapecó vai se transformar... em quê?

“Para o reitor Odilon Poli a universidade terá várias etapas ‘para se tornar a melhor universidade do Oeste na frente na Educação 3.0” (subtítulo de entrevista na p. 12 do jornal Folha do Bairro, edição de 26 de julho).

Como cronista e professor especializado em filosofia e sociologia na educação, não posso deixar de questionar tal informação. Começando pelo título da ‘novidade’: ‘Educação 3.0’ - uma nomenclatura de tom efêmero, mais adequada a lógica do mercado ou do capital e não do conhecimento - conste que o tema ‘educação’ não pode ser enquadrado nessa lógica (daqui um pouco estaremos falando em ‘3.0 GLS turbo’), pois deve estar além do domínio e interesse mercadológico, já que falamos em ‘universidade’, o que pressupõe, conhecimento ‘universal’, e não restrito a esse ou aquele fim determinado. “Se tornar a ‘melhor’ universidade do Oeste”? (gostei da ‘humildade’ em reconhecer então, que não é ‘a melhor’ – mas pretende se tornar). Então o objetivo é esse: ‘concorrer’, ou seja, ser parte (e já não é?) da jogatina reducionista desse ‘sistema’ competitivo e submisso ao capital (onde a educação é o mero ‘produto’, a ‘mercadoria’ em jogo)? Aprendi que universidade é bem mais que isso! – pelo menos é assim que reza seu conceito e a publicidade em torno do ensino dito ‘superior’.

Também é dessa mesma entrevista, quando perguntado sobre a ‘necessidade de mudança’, que o reitor responde: “(...) é importante ter presente que o nosso país vem fazendo um grande esforço para melhorar a educação, condição essencial ao seu desenvolvimento. (...) a partir da década de 90 do século XX, a sociedade brasileira (especialmente os empresários) passou a exercer uma forte pressão sobre os governantes, exigindo melhorias na educação (...). Essa pressão se deu em todos os níveis, uma vez que muitos egressos do sistema de ensino, não conseguem atender adequadamente às expectativas do setor produtivo.” (POLI, 2013). “Pressão”? “Especialmente os empresários”? Então quer dizer que a tal ‘reestruturação’ da universidade está pautada ‘especialmente’ nisso: ‘pressão e visão empresarial’? “Expectativas do setor produtivo”? Produção de quê? Técnicas, cabeças e corpos servis ao dito mercado? É isso? Se não for, por favor, me desculpem, mas essa questão está muito mal esclarecida.

Pois bem, e o ‘custo’ dessa mudança? Dessa ‘modernização’? Por enquanto, além de funcionários, em torno de 70 professores demitidos e sem diálogo com a categoria ou seu sindicato (o que configura demissão em massa, além de uma atitude truculenta, nada dialógica). Em nome de um ‘futuro’ incerto e de uma reestruturação que pretende ser simplesmente ‘a melhor’, e que leva um nome, no mínimo ‘questionável’: ‘Educação 3.0’. Nada está claro e nada é certo, mas de uma coisa eu sei, Universidade não pode ser um espaço pautado em interesses do dito mercado, da publicidade nem do empresariado - ou de um ‘desenvolvimento’ no mínimo suspeito, em pese que, o que está em jogo é a Educação, e esta, deve privilegiar o conhecimento, respeitando o estudante e o professor, reais agentes e motivos dessa ‘universalidade’.


Herman G. Silvani (professor e assessor do Sinproeste – Sindicato dos Professores do Oeste de Santa Catarina)


*também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 15/08




Leituras do Cotidiano - 15/08

Marcha para Jesus?

Pastores doutrinários como Silas Malafaia & CIA, na condução do rebanho, aproveitaram seus espaços ‘demo-cráticos’ (tanto nas ruas, nas igrejas, como nos seus espaços televisivos), para fazer discursos ideológicos acima dos problemas históricos do país, problemas que, inclusive, eles têm parte. Utilizam-se de um discurso de cunho 'cristão' (ou ‘pseudocrístão’) para ludibriar e fazer politicagem. É por isso que defendo que, religião (ou instituição religiosa) não se trata de crença, mas sim de ideologia e política. Então, abre o olho ‘irmandade’!  


Filosofia cristã contemporânea?

O ‘filósofo’ brasileiro Luiz Felipe Pondé (que de tão ‘politicamente incorreto’ que publica ser, acaba sendo o mais ‘correto politicamente’) resolveu ‘sair da gaveta’ e admitir sua ‘cristandade’, criticando a ‘esquerda’ por sua ‘rasa espiritualidade’, em entrevista a revista Veja. Também disse ter mais elegância em escolher crer em Deus. Veja só por onde anda nossa ‘vã filosofia’! Profundo o ‘pensador’! Como diria minha avó: ‘deusguarde amém’!


Da série 'personalidades falatórias'...

Vou fazer uma 'análise do discurso' a que pretendo chamar: “Leitura e relação entre Lobão e Pondé: seus delírios e frustrações... Seus discursos fragmentados nas linhas do vazio ortodoxo contemporâneo”... Que tal? ‘Um compositor, músico e artista carente de atenção midiática em diálogo com um filósofo pop da sacralização do fragmento, os dois, flertando com o espetáculo dos egos desamparados’. Por aí! Sem pretensão... A modo de divertimento.

Obs.: Aproveitando a moda dos que se auto intitulam filósofos, chupando Pondé,  claramente! (e como imitam bem, putz! inclusive, conheço alguns).



“Nossos sistemas judiciário e carcerário, não educam: reprimem e violentam”.



* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó, 15/08




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A educação e os educadores: conceitos reduzidos à falta de sensibilidade

Esta semana participei da CONAE (Conferência Nacional da Educação), onde 'eixos' temáticos referentes à educação foram discutidos a partir de certa realidade regional. Nisso, percebi e relaciono (em alguns aspectos) aqui na região, aquele momento, a uma 'Conferência Regional Reducionista', onde quase todos os 'tópicos' relativos aos grupos 'minoritários', 'étnico-raciais', povos indígenas, especificamente, foram excluídos, dando lugar para um 'todos', justificado por uma pretensa 'igualdade' de acessos e condições que não existe. E as palavras mais rodadas do dia foram: 'qualificação' e 'punição'. No campo das perspectivas, um retrocesso. Constato assim que, muitos dos 'colegas educadores' precisam voltar aos estudos ou desistir desse ofício, pois, veem o outro (se é que veem), a partir de si próprios, no que deveria ser o oposto. É o ego, a vaidade e a mesquinharia 'eurocentrista' que entope as 'veias do pensamento' desse povo. Simplesmente, deprimente a situação - e alguns psicopedagogos e/ou pedagogos/as, vem me falar em 'educação', didática, métodos, formalidades, como se isso fosse 'a grande questão'. Sim meus caros, é preciso 'deseducar' os próprios 'educadores', para que, talvez, assim, algo mude realmente e saia do discurso amesquinhador, incoerente e redundante (que gira em torno de si próprio), pois, “se essa for a educação que 'eles' promovem", quero morrer na ignorância...


* também publicado no jornal Folha do Bairro, 09/08