domingo, 29 de abril de 2012

dedico este poema aos idealistas...

Os bons tempos do matadouro

meu avô carneava boi como ninguém.

a banha, o cheiro forte do sangue coagulado
as vísceras e as entranhas espalhadas pelo chão do matadouro
os olhos mortos, parados
a disputa dos cães pelos restos
a buchada aos porcos, as moscas em volta
o coração aflito

eu era menino...

quem nunca esteve num matadouro
sabe pouco da vida
e da morte, menos ainda

a realidade é um naco de carne no osso duro da vida.


Herman G. Silvani



Fuga I:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

O eco do urro que vem de longe


Alguns vão embora simplesmente para fugirem da rotina. Outros para fugirem de seus fantasmas, de seus medos. Alguns também vão embora para fugirem dos outros. Outros ainda, vão embora para tentar se encontrarem, mas geralmente, não encontram nada além do que já eram antes. Há nisso uma categoria piorada, que é a dos que vão embora para fugirem de si mesmos. Fugir de si mesmo é tentar ser um outro que não se é. É querer sair da realidade desenhando uma outra mais idealizada. Alguns, com suas fugas - e/ou pretextos, vêem no ‘outro’ aquilo que na verdade são, mas não admitem, nunca (tem aqueles também que desejam muito ser ‘o outro’, mas suas capacidades e limites físicos, mentais-intelectuais não permitem). É um espelho doloroso ter que encarar a si próprio, quando não se aceita ou admite ser o que se é. Então, a maneira mais fácil (porém medíocre e covarde) é mesmo fugir, debandar, como se fosse abandonar, ir embora do lugar que até então ocupava, ir embora de si. E quantos por aí fazem isso! Só vão chegar onde sempre estiveram, só não aceitavam ou admitiam. Alguns acabam voltando, outros, nunca mais (amém!). Muitos voltam transformados, modificados, melhorados, mas nem todos. Tem aqueles que também voltam iguais ou piores do que foram. Alguns nem chegam ao destino, acabam sucumbindo pelo caminho. A fuga é comum na prática humana. Assim como é comum também, não se assumir, não se aceitar, não querer encarar ou saber lidar com suas pendengas, suas frustrações, suas dores, suas fraquezas e faltas. Ninguém é completo e/ou muito mais do que seus atos. O homem é limitado, geralmente aos seus atos, ao que pensa e pratica, ao que diz, fala e escreve – até ao que produz (quando produz!). Bons livros, boa música, boa arte, infelizmente se provou, não faz ‘toda a diferença’. É preciso mais que isso. O uso que se faz das coisas pode ser um uso-disfarce, como muletas que apóiam o andar, como máscaras que disfarçam o semblante decadente ou o riso dissimulado. E quantos riem-se por não poder chorar. E quantos choram por não saber do riso. Vítimas de si próprios se esbatem e rastejam pelos becos e largas avenidas de qualquer cidade, seja ela interiorana ou a capital mais populosa de um país. Pessoas, assim como o caráter, são o que são em qualquer lugar do mundo, o que muda é a paisagem (mas não confundam isso com determinismo). O determinismo nem sempre vigora, aliás, são os deterministas que dizem que tudo é o que é e que a história não caminha. Desprestigiam a história por se considerarem acima dela – por isso, e bem nisso, deixam de viver o momento (no presente é que a história acontece, o mais é escrita, retomada e memória), que é bem o oposto do ideal. Não sabem, ou por algum motivo ignoram o fato de que existem vertentes históricas. Vivem fiéis e presos ao tempo cíclico da história, talvez, por acreditarem ou só conhecerem esta forma de se pensar, perceber e conceber o tempo. Mas o tempo é caótico e não cíclico nem linear. O tempo é espiral e caminha em sentidos variados e disformes. Os arautos da reclamação e justificação, da negação de determinados fatos, aqueles que se amarram em discursos ‘filosóficos’ e reproduzem mais do que criam (talvez por não conhecerem outras possibilidades – e certamente por não terem vocação para criar), detratam tanto a riqueza material de alguns poucos privilegiados, que se mostram os mais atormentados por ela. Detratam tanto a política que acabam não percebendo que são eles os  seres mais mediocremente políticos que existem (além de analfabetos políticos – leia-se Brecht). Qual é a diferença de um medíocre pré-conceituoso (que odeia gordos, sendo ele próprio um – tamanha falta de se auto-perceber – numa posição miserável de miopia controvérsia), com um mero e passivo espectador da política (institucionalizada ou não) que o fode diariamente e que se orgulha em dizer ser um ser apolítico?  


“O livro é um espelho: se um asno o contempla, não se pode esperar que reflita um apóstolo”. (C. G. Lichtenberg)

O fato é que ‘algumas pessoas’ precisam se resolver melhor, depois, talvez (mas não tão provável), elas possam sair das suas tocas com suas cabeças erguidas, se auto-reconhecendo e se aceitando, se assumindo – abandonar, além das convicções e idealismos, as muletas. Até lá, o ‘individualismo de cunho pequeno-burguês-capitalista’ – que, diga-se de passagem, ainda predomina culturalmente, seja na reprodução dos valores ético-morais ou nas práticas sociais e individuais (e porque eu devo me cuidar com esses ‘termos ultrapassados’? - pormenores tornados importância e alvos por aqueles que vivem da mesquinharia particularista de dado contexto – respondo: porque, incrivelmente, muitas pessoas ainda ultrajam essa indumentária – que coisa!), vai estar vigorando no menu dos dias. Outra síndrome que afeta ‘aquele(s)’ que se acha(m) ‘superior(es)’ como seres de valor apurado (quando não passam de criaturas rastejantes, obedientes e imóveis frente a ordens sócio-culturais que os tornam mais produtos desse meio do que qualquer outro ou outra coisa), vai corroendo por dentro esses sujeitos, derretendo gordura (mas nunca o suficiente), apertando os pulmões e atrofiando o cérebro (pobres criaturas que sonham e ainda reproduzem Platão com toda a convicção mediana que os trai tolamente a cada tentativa frustrada de um novo vômito - o vômito é interno, sempre foi).


Enfim, já me estendi demais. Se não gostasse tanto das palavras, certamente não o faria, mas... Agora vou prosseguir minha noite de domingo com a última taça de vinho que já divaga incerta na minha frente, junto a minha companheira e suas ‘curvas’ - e bem menos gordura do que isso, eu é que diga! (infelizes daqueles que não tem nem brisa de idéia do que seja isso, pobres criaturas!) uma estrada perigosa – e como eu gosto de me arriscar (nessas curvas) para além da segurança do mundo medíocre das quatro paredes em que tantos fazem seu calabouço.


...e os cães? Ah! Os cães justificam um velho chavão que eu adapto agora e que fica assim dito: “Quanto mais eu conheço ‘alguns’ homens (?), mais estimo meus cachorros”.

E os urros se ouvem cada vez mais fragilizados, no fundo de algum poço de uma província (que é um pensamento) por aí... 


yá!



terça-feira, 10 de abril de 2012

A festa dos prós & dos contras

* imagem by Eric Drooker

“Ei Herman, você que é cronista, é contra ou a favor ao aborto?” Não sei. Ou, nenhuma das opções. Posso não ter opinião sobre isso, não posso? Ou isso também é um crime? Nem tudo o que tenho são convicções, opiniões, posições. Certezas, poucas! Só porque escrevo e leio diariamente, isso não significa que eu seja um campo fértil de opiniões. Conhecimentos, até tenho alguns, mas nem todos são confiáveis. Talvez nem eu seja tão confiável. Você é? Quando um assunto polêmico como o aborto se torna bandeira, seja ele de grupos liberais moderninhos e feministas, seja ele de instituições e igrejas conservadoras e/ou retrógradas, ou mesmo um mero motivo de polêmica para se ter assunto, tudo isso se torna um grande ‘espetáculo’. A natureza não tem leis (“apenas hábitos”), e todas as leis não são naturais. Natural é copular, gerar vida, sentir e trocar prazer e experiências. Nisso, o aborto interrompe uma caminhada natural. Agora, proibir o aborto, através de lei ou por uma moralidade ou moralismo qualquer, também não tem nada de natural. Nos dois casos, a natureza não prevalece. A questão deve ser outra. Cada caso é um caso específico, particular. Cada caso tem um contexto próprio, único, e dentro disso, nunca se sabe. Daí vem a minha falta de opinião. A polêmica do aborto está nas páginas do livro do Espetáculo. Portanto, prós & contras remam juntos no mesmo bote. Um bote em alto mar com um furo bem no meio, prestes a afundar. Algo ou alguém sempre se dá bem com isso. Mas algo tão particular assim, como o aborto, não pode ser bandeira de luta alguma. Crime, pecado ou não, é conforme a crença e a consciência e os valores de cada um. Uma situação não se compara a outra. Portanto, tenhamos cuidado com os ataques e com as defesas. Estamos armados e com as armas apontadas para o próprio nariz, num baile de máscaras, partidário, inconsciente (ou com a consciência do interesse, da hipocrisia e/ou do sensacionalismo), com a luz apagada e dançando embriagados, onde uma opinião é apenas uma forma de se sentir incluso numa festa onde não fomos convidados.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

E por falar em 'espetáculo(s)'...

Amigos!

A problemática em questão, não é se 'tudo se torna espetáculo na mídia ou não', a questão é a forma em que se dá a 'divisão' desses espaços. Existe nisso, nessa 'divisão' (ou na falta dela), sobre o pretexto do discurso democrático, de livre manifestação, uma espécie de 'ditadura' midiática, publicitária e espetacular acima desses espaços, sendo que, todos os espaços de mídia, para serem 'legais', tem a concessão do Estado, no intuíto (ou discurso) de que 'arte, cultura e informação', são bens e direitos de TODOS os cidadãos por igual. E o que estou fazendo com essas 'manifestações' crônicas e/ou críticas escritas aqui, disso que considero 'modas' e/ou 'espetáculos' midiáticos promovidos pela indústria cultural e sua publicidade a serviço de corporações privadas de poder econômico, é simplesmente questionar e me posicionar frente a isso. Então aos meus discordantes mais 'indignados' ou 'apaixonados', lhes pergunto (e nem precisam responder): Onde estão as apresentações, os espaços das variadas manifestações artísticas, políticas, filosóficas e culturais na programação da TV aberta, no rádio, nas revistas e jornais escritos? Onde está a poesia, o teatro, a música autoral e independente, os embates filosóficos-ideológicos e políticos conceituais e teóricos (além do mero discurso do convencimento) nesses espaços ditos 'democráticos' e/ou abertos? Porque, já que a questão é essa, o MMA/UFC está diariamente sendo bombardeado nas mídias oficiais enquanto a Capoeira ou o Kung-Fu, por exemplo, nem se cogita e até, às vezes, acaba virando 'mitologia' no pensamento coletivo? Vemos por acaso um trecho que seja do show The Wall de Roger Waters na televisão aberta? Agora mesmo está passando Michel Teló e algum ídolo do dito sertanejo universitário. Se ligar o rádio, também ouvierei seus afins tocando massivamente. Se voltar a ligar a TV, lá estará o MMA, o BBB, os eleitos do 'espetáculo' que se promove 'popular', e assim por diante. Onde estão as sinfonias, a moda de viola caipira, os espetáculos teatrais, as rodas de capoeira, o skate, o cinema-arte, etc... etc... etc... E não venham me dizer que faltam opções atrativas ou tipos e variedades de manifestações sócio-culturais por aí para ocupar os espaços da grande mídia. Então, porque 'nós', de bocas abertas e tão contidos, aceitamos tudo isso, assim, tão facilmente? No mínimo, somos cúmplices desse 'espetáculo' ditatório. Ou nos convenceram com o discurso, de que tudo isso é 'natural' e faz parte de uma suposta 'normalidade', ou somos covardes e/ou bestas demais para termos a ousadia de dizer: NÃO! - ou no mínimo: 'não é bem assim!'. Enfim, a questão vai muito além da idéia simplista do ataque pelo ataque, da provocação pela provocação, da crítica pela crítica. Estamos em 'guerra' cotidiana, e os espaços que não deveriam ter 'donos' e ser caminhos, alternativas para uma expansão humana e/ou das suas manifestações (leia-se linguagens e comunicação), são como territórios onde se estabelecem relações de poder. Da minha parte e de muitos outros que como eu tem essa análise sócio-histórica da realidade, tento não cair em discursos massificadores, formadores de opinião e luto para a 'desterritorialização' desses espaços 'presos' e/ou 'confinados, policiados, vigiados', usando das armas que disponho: 'a palavra, algumas linguagens, a criação e a contestação'. Portando 'amigos', espero que, pelo menos tentem compreender, e não caiam na reprodução vulgarizada e medíocre daquilo que se acomoda como 'naturalidade', tão presente no discurso midiático de poderes 'obscuros' que estão por trás dessas 'verdades' incontestáveis. Me posiciono dessa forma porque sei que 'não ter posição, também é uma tomada de posição'. Enfim. Como diria o poeta: "A única coisa que justifica construir uma parede, é derrubá-la algum dia."

Abraços & saúde!


























O CAOS NUNCA MORREU!


hgs.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Entre as massas! (massa de manobra; massa corporal; massa encefálica)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O culto ao corpo e ao automóvel: maquinarias que se assemelham no fundamentalismo do eu


Herança grega, o culto ao corpo como padrão estético e saúde física tem seu ‘descanso’ durante a Idade Média, e com o Renascimento nos vem até os dias atuais. A propaganda televisiva é prova disso, onde modelos que exibem o que seriam corpos perfeitos são diretamente relacionados a um conceito de saúde física e beleza estética (ligados ao apelo comercial), somados a uma ‘aparente’ e convincente alegria. Nessa relação publicitária do discurso em forma de imagem com a ideologia da indústria cultural, e que visa um público consumidor ‘X’, o pensamento, o caráter, o conhecimento, são elementos que ficam de lado, tornando-se esses elementos, insignificantes. No capitalismo contemporâneo, se vende de tudo e de qualquer forma. Mas ao produto (bem de consumo), sempre estão vinculadas determinadas idéias, crenças, ideologias. Nesse processo, o corpo tem relação com o automóvel. Não me canso de ver homens saídos de academias, malhados, com seus músculos em exibição, usando essa máquina (leia-se corpo) para representar aquilo que realmente não se é. "A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero." (Henry Thoreau).  O homem, independente do que ele representa e como se mostra, no fundo é outra coisa. Nisso, o corpo não passa de uma casa – e cá entre nós, muitas vezes vazia. Ou seja, neste caso, muita massa corporal e pouca encefálica. Assim também é utilizado por parte considerável da população o automóvel. Muitas vezes, ter um carrão, o que deveria ser apenas um meio de transporte, passa a ser status social e representação daquilo que não se é. Neste sentido, tanto o corpo ‘bombado’ quanto o automóvel ‘tunado’, passam a ser um prolongamento da ‘pouca’ potência masculina. Na falta dessa potência, o homem de ego inflado e que busca status social, faz do seu corpo e/ou seu automóvel, uma espécie de órgão genital. Expondo sua força física, seja na rua ou em algum ringue, como que quando acelera seu automóvel saindo em disparada, cantando pneu, fazendo pegas na rua, o ‘macho’ (ou pretendente a isso), dá mostras da sua fragilidade. A potência do seu golpe, despenhado com ira e violência, pelo excesso de treinamento, onde a força e o condicionamento físico são seus motes, em busca unicamente da vitória e de uma suposta ‘superação de si próprio’ através dessa condição (o que é diferente da energia canalizada desferida num golpe por uma arte marcial como o Kung-Fu ou Jeet Kune do, por exemplo), assim como a potência do motor do carrão dado a violência da aceleração e/ou excesso de velocidade pelo condutor, ambos são despachos de alguma frustração cotidiana, de alguma ira incontida. A diferença é que no ringue, pelo menos, os adversários deferem seus golpes agredindo a si próprios. Até aí, tudo bem. Mas na rua, no trânsito, na televisão, na internet, isso se torna ‘espetáculo’, e este por sua vez, reprodução que vai acabar em violência, imposição, consumo e cultura. Uma cultura efêmera, como é a do culto ao automóvel e do culto ao corpo e seu uso violento enquanto status de poder e potência. Eu mesmo já presenciei, por inúmeras vezes (e quem não presenciou?), jovens ‘bombadinhos’ faltando com respeito ao ‘outro’ (principalmente às mulheres, devido ao machismo impregnado nessa cultura) na rua, em festas e bares, esbarrando no ‘outro’ por se auto-considerar mais ‘másculo’, provocando brigas e confusões ‘gratuitas’, ou usando o automóvel de forma irresponsável no trânsito, com impaciência e truculência quando deveriam praticar a gentileza e a boa convivência entre os seus. Pois é meus caros, isso é mesmo muito comum no dia a dia, basta que queiramos perceber. Isso tudo está diretamente vinculado a uma espécie de ‘fundamentalismo do eu’, ou seja, uma supervalorização do próprio ego, do individualismo, egoísmo, ganância e principalmente, cobrança e despacho das frustrações cotidianas. A impotência assim, faz com que o homem que se auto-proclame ‘senhor de si próprio’, quando na verdade não passa de um dependente - senão covarde, aquele que impõe aos demais a sua condição de ‘superioridade’, escondendo assim, suas fragilidades e seu medo de se assumir e aceitar a realidade que o cerca. Assim, não se opta pelo estudo, pela busca do conhecimento. Trocam-se as buscas, as experimentações, a superação das fraquezas e mediocridades interiores pelo ‘espetáculo’ físico que o corpo e seu uso passam a ser, assim como o ‘espetáculo’ material que o automóvel passa a proporcionar. Tudo isso se resume em uma demonstração miserável de potência – e/ou a falta dela.



O amor ao ego e a violência enquanto espetáculo midiático e cotidiano


Algumas críticas e considerações ponderáveis recaem sobre a elevação do ego, do individualismo do homem e suas ações na sociedade contemporânea. A mesma violência que é combatida em discursos políticos, ideológicos e religiosos, é um grande produto da indústria cultural, vendida em vários espaços oficializados mundo afora. A violência se vende como um artigo qualquer numa ponta de estoque. Porém, ela é velada e transformada em ‘espetáculo’ (sob tudo midiático, neste caso específico). Além disso, a competitividade que visa unicamente a vitória (apesar de certo discurso que diz: ‘o importante é competir’), a sobreposição de um sobre o outro, também é um elemento significativo para a fundamentação crítica de caráter sociológico. Tudo isso seria muito ‘normal’ num sistema que se diz democrático, mas, a coisa não é bem assim. O que temos são discursos. A prática, às vezes, se mostra outra, quando se chega ao âmago da questão. A ferida aberta, porém camuflada no interior do discurso arde quando é tocada, devido a falta de conhecimento de causa para tratar tal chaga. Mas, convenhamos, estou querendo demais. De uma realidade que privilegia ‘esportes’ competitivos que resultam em status social e poder, que privilegia a massa corporal ao invés da massa pensante nesses ‘esportes’, eu não poderia esperar outra coisa. Reforçar o ego, e/ou a suposta superioridade de um sobre o outro, são práticas comuns nesse tipo de sociedade. Numa espécie exagerada de ‘amor próprio’ e vontade de superioridade, o culto ao próprio corpo torna-se uma cultura onde a violência passa a ser a sua linguagem, e tudo isso compõe o ‘espetáculo’ de mediocridades, impulsionado e imprimido na ‘cultura’ popular pela grande mídia e sua indústria cultural.  

 

“Mas, ao mesmo tempo, a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinado integralmente pela fabricação dos produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e as reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada; aquilo que se imprime é a sucessão automática de operações reguladas. (...) O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça; o produto prescreve qualquer reação; (...) Toda conexão lógica que exija alento intelectual é escrupulosamente evitada.” (Teixeira Coelho – ‘O que é indústria cultural’).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A sociedade do espetáculo: entre o Big Brother e o MMA/UFC


Mal termina o BBB e um novo Reality Show começa na obesa programação da Rede Globo. Trata-se de um Big Brother 100% masculino. Quer dizer, pelo menos na fachada. A Indústria Cultural brasileira dá mais mostras do que é capaz. Agora, o ‘espetáculo’ fica por conta de um novo modismo em rede nacional, aquilo que um dia se chamou ‘Vale Tudo’, e por motivos ‘obscuros’ teve o nome adulterado para MMA (Artes Marciais Mistas), e/ou UFC (como desejarem). Lutadores de academia dão mostras semi-teatrais das suas ‘artes’ num ringue transmitido ao vivo. Entre músculos, tatuagens, suor, socos, ponta-pés, meia-noves, e alguma racionalidade, os ‘bombados’ são os atores principais desse horror show televisivo (eu pelo menos, acho horrendo ver aquele desfile de músculos e porrada pra tudo quanto é lado - mas cada um com suas escolhas, não é? A minha é essa, e acho que posso, não posso? Ainda mais quando invadem, a todo momento, meus espaços com tamanha poluição. Que chatice isso! Mas, alguns acham que não tenho o ‘direito’ de me manifestar a respeito – ‘são tão democráticos!’).  Estive, por acaso, presenciando um torneio amador desse ‘esporte’, quando fui a determinado lugar beber uma cervejinha e comer algo, e lá estava o ‘espetáculo’ armado. Fiquei algum tempo e pude presenciar e perceber alguns lances. No dia seguinte, ligo o computador, acesso a net e lá está: propagandas e mais propagandas de MMA nas páginas principais da internet. Acesso o facebook e novamente lá estão elas. Ligo a TV e, adivinhem?! Que saco! Não bastasse o futebol que nos socam güela abaixo, agora mais isso? E eu tenho que aceitar isso tudo passivamente como um número do rebanho? Não, não dá pra mim. Então, devido ao excesso de imagens e discursos que tomavam os maiores espaços no facebook, inventei de comentar o que pude ver naquele dito torneio, como mero expectador, porém, com certo conhecimento, já que fui praticante de artes marciais por alguns anos (leia-se Wing Chun Kung-Fu e Tai-Chi), por quê? Além dos xingamentos, acabei recebendo ‘convites’, provocações, intimações, intimidações e até ensaios de ameaça de alguns ‘esportistas’ lutadores da dita ‘arte marcial’: “Seja homem e suba no ringue que te mostro!” foi uma delas. ‘Não, muito obrigado! Você não faz meu tipo. Não gosto de ser agarrado por músculos nem me banhar em suor masculino, muito menos dar e levar porrada nas escuras. Meu chão é outro. Prefiro a cama e as mulheres’. Mas se a escolha alheia é essa, tudo bem, até entendo, só não venham me meter no meio disso. E se ‘alguns’ (vejam bem, não estou generalizando) precisam provar sua masculinidade e virilidade com porrada e tentativas de intimidações por não suportarem a opinião crítica alheia, é porque isso, no fundo, lhes faz falta. Não aceito esse tipo de provocação. Teve até um ‘professor-instrutor’ que insinuou que poderia me ‘arrebentar’. Pelo que pude perceber no discurso escrito, pela falta de conhecimento e bom senso do sujeito, se me desse um ano apenas de trabalho pago para que eu pudesse me sustentar, treinando no máximo 3 dias da semana, não seria muito difícil (se aceitasse a provocação), em no máximo 10 minutos dar uma resposta prática ao sujeito. Mas não, estou um pouco velho e gasto pra isso, além do pouco interesse. Nunca gostei dessa forma de resolver as coisas, prefiro o diálogo, o debate, a argumentação. Minhas armas são outras. Além do corpo, tenho a mente, a música e a palavra. Aprendi, nos tempos em que praticava artes marciais, que o sábio e bom lutador, em primeiro lugar, não deve, jamais, subestimar o ‘outro’ – e o que fez esse ‘professor’ e alguns ‘lutadores’, foram subestimar o conhecimento alheio, tanto intelectual quanto prático. Mas, isso não me é surpresa, o ser humano, em sua grande maioria, tem a mania de fazer isso. Outro ensinamento é não aceitar provocações, ainda mais quando estas são levianas, e não cair em disputas de ira visando alguma vitória. A arte marcial, depois que saiu do âmbito do preparo único e exclusivo para a guerra (como era originalmente), com a contribuição de Kung-Fu Tsu (também conhecido por Confúcio, o sábio chinês), tornou-se também um modo de vida, de ver o mundo, de prática cotidiana, onde o ‘controle’ de si mesmo e/ou ‘auto-equilíbrio’, passou a ser um elemento fundamental na característica do que se chama ‘arte marcial’. Bem diferente do que vi e do que ouvi daqueles que me intimaram para o ringue. E segundo suas iras, eu é que sou o ignorante, eu é que preciso estudar e aprender mais sobre o assunto. Mas enfim. Os tempos são outros. Tanto é que se confunde arte marcial (o que foi e o que hoje é) com esporte competitivo e com ‘briga de rua’, seja ela fora ou em cima de um ringue. É claro que ‘alguns’ lutadores são mais do que músculos e tatuagens, mas, pelo jeito, se eu não estiver equivocado, devido ao que vejo por aí, uma minoria, até que me provem contrário.


‎"A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo. A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece nisto, os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que lhos apresenta". (Guy Debord – ‘A Sociedade do Espetáculo’).

 

*  Nisso tudo, sugiro aos ‘professores’ ou instrutores, que preparem seus alunos além do uso da força física, para o uso da força mental, intelectual, pois pelas respostas que recebi, estão precisando – e muito. A arte marcial vai muito além da luta, prepara seres humanos - pratica também o pensamento, o bom senso e a inteligência além do quesito físico. O mais, é modismo e ‘espetáculo’.


hgs.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Vamos falar de coisas mais elementares...

& por falar em Waters...



* Amigos reunidos soltando seu Grito no Beira Rio num momento histórico..


"É A FORÇA DO GRITO!" .. belíssimo texto de Roberto Panarotto sobre a 'celebração' que foi o show/espetáculo The Wall de Roger Waters em POA.. relacionei diretamente com o Grito Rock quando li, no sentido da possibilidade real de derrubar 'muros', além da 'vã filosofia' conformista.. enfim.. confiram:


yá!



Só chutando cachorro morto mesmo... Pois os vivos mordem!






















Presta atenção e vê se aprende... 2X2 nem sempre é 4!


O Sr. u.C. de ‘tão foda que é’ (ou acha que é – tanto é - ou não é, que bota, ou acha que bota - ‘os outros’ a lamber poeira, coitado!) precisou fazer a ‘parte II’ do seu medonho texto ‘opinativo’ dos seus ditos ‘filosóficos’ para não se sentir derrotado, já que a auto-conveniência parece seu único conforto. Só ‘esqueceu’ de um ‘detalhezinho’ fundamental: para uma opinião ter certo valor, certa consideração de ser, precisa, no mínimo, ter certa fundamentação, caso contrário não passa de falácia, discurso, sensacionalismo, demagogia, hipocrisia, engodo. Existe uma coisa que se chama ‘argumento’, e este, inclusive e/ou principalmente na área do pensamento (ou filosofia), precisa ter um mínimo de elaboração baseado em certa análise da ‘realidade’ e não do ‘achismo’ meramente discursivo (e é por isso - e não por aquilo! - que alguns SÃO pseudo-filósofos, e não ‘apenas’ chamados assim).  O Sr. u.C.  se contradiz (de novo?) quando quer que pensem que não se importa e que publicar algo em um blog ou aonde for, é simplesmente ‘opinião’ (ta, conta outra!). Assim acha que todo mundo é besta: ‘Ah! Não leio, não comento blogs alheios, e blá-blá-blá!’. Decerto o Sr. u.C. tem ‘espiões’ que fazem isso por ele, já que sabe tudo o que se passa na paragem de cá, só pode! Ou é como um deus: onipresente (risos). Enfim. Vejam abaixo o quão ‘foda’ é o Sr. u.C., conforme suas próprias palavras publicadas no seu blog ‘filosófico’:

“Fazia muito tempo que observava com certa ira um grupinho ridículo e que não conseguiria debater uma ideia comigo por 60 segundos até que eu os botasse a lamber poeira no chão. Mais fácil é lutar por um mundo melhor no quintal da casa do papai – provável, mas não invejável, como ele quer que poucos desavisados acreditem! Fui observa-los bem de perto e por isso sei bem como e por qual motivo defendem o que defendem. Mas um “fuminho” a mais ou a menos e eles já mudam de ideia – mais rápido do que vira o vento!”

É, parece que numa única e breve visitinha na minha casa um dia, o Sr. u.C. conseguiu saber TUDO sobre mim, a Liza e nosso meio (leia-se ‘Fui observá-los’ – plural). Agora, além de filósofo também posa de psicólogo – que tal?! Uma das coisas que caracteriza um pré-conceituoso e um medíocre determinista, é achar que é assim, tão fácil saber do ‘outro’.  E se nessa escrita (mal elaborada por sinal), o dito cujo se refere ao grupo (‘grupinho’) do Entrevero, acaba novamente caindo no seu determinismo, por generalizar colocando TODOS no mesmo espaço, sendo que, o que existe é a peculiaridade característica de cada um. Pensei: Se o Sr. u.C. achar conveniente e não se borrar nas calças, até proponho, quem sabe, um ‘diálogo-debate’, coisa leve, sobre isso tudo, aí veremos quem muda de idéia “mais rápido do que vira o vento!”, já que o dito cujo adora subestimar o conhecimento alheio e usar isso de forma tão leviana para detratar o ‘trabalho’ também alheio. Quem sabe assim, essa ‘putaria’ acabe (o problema é saco para debater com quem é tão burocrático, mesquinho e evasivo em suas considerações – característica de muitos religiosos e intelectualóides do fundamentalismo pseudo-filosófico).

O Sr. u.C. continua a vomitar assim:

“(...) e pode confiar, não tenho necessidade alguma de comentar em blogs alheios – por que faria isso se posso escrever aqui o que quiser? Nunca precisei ocultar nada do que penso, sempre tive força suficiente para colocar qualquer jornalista pançudo ou historiador com mal hálito no seu devido lugar!)”

Porque se justificar dessa maneira, tchê? Com tanto simplismo? Nem parece um ‘graaaande filósofo’ da nossa filosofia chapecúina? Que lorota! (conta outra que essa foi horrível!).

Prossegue:

“(...) francamente, quero que façam milhões de festivais de 300 pessoas – dado que me informaram com base em sócios do camping. E digam que tinha 300 mil pessoas! Ora, há essa tendência adolescente de exagerar em tudo! Mais francamente ainda – nossa como sou uma pessoa franca e sincera! – quero que explodam!”

No camping, pra sua informação Sr. u.C., já que carece muito dela, se tivesse, era duas ou três famílias acampadas naquela noite. O mais, era público do evento – foi a organização que contou os ingressos vendidos e pessoal que circulou no local – e acredite ou não (para o seu conforto ou desespero, foram no mínimo 700 pessoas! ok? Se informa melhor aí bicho! Ou contrate melhores ‘espiões’, pois os seus estão te ludibriando. Se ‘explodirmos’ como desejou meu caro, você também não vai gostar e, certamente, irá dar mais um vômito em forma de texto para dizer: ‘Ah! Eles explodiram! E foi mais forte do que um Grito! Estão querendo aparecer e blá-blá-blá...’. Jovens, às vezes exageram muito, isso é. Mas é preferível o exagero jovem do que o desgosto, apatia, mesquinharia, mediocridade e rancorosidade de certos velhos que vivem a lamuriar por detrás das suas quatro paredes, na pseudo-segurança do MURO (leia-se The Wall – yé!). Como está publicado num certo livro de poemas de um escritor colombiano (Efraim Medina Reyes), que eu mesmo te apresentei, lembra? (e que você disse que foi por isso que começou a escrever) – e que diz assim: ‘No fim das contas penso que a única coisa que justifica construir uma parede é derrubá-la algum dia’. Péssimo leitor você foi dar. É, infelizmente, uma boa leitura não faz um bom leitor (vitória do chavão bíblico: ‘Não jogue pérolas aos porcos’) – neste caso: “O livro é um espelho: se um asno o contempla, não se pode esperar que reflita um apóstolo”. (C. G. Lichtenberg).

Sr. u.C. na sua ‘parte II’, insiste em dizer que o Grito é meu, subestimando (ou chamando de trouxas) os demais envolvidos que fizeram o evento acontecer, e terminha com a mesma bestialidade individualista e mesquinha de sempre, com pitadas de dor de cotovelo (é claro, sua banda não soltou nenhum Grito):

“Nem imagino a força do atraque traseiro que o sr. N. recebeu para que o grito dele tenha ecoado até Porto Alegre!” 

Obs.: & valeu a pena cada centavo, cada esforço e suor gasto, tanto no Grito como no Waters. Bem, só sabe disso quem esteve realmente por lá. Tudo resultado de algo que se chama 'trabalho', num conceito mais amplo do palavra.

Para finalizar meu ‘despacho’ aqui (pois agora Exu vai jantar mondongo com rúcula e beber vinho tinto e fumar um charuto dominicano ouvindo um velho samba de Rui Maurity), já que o Sr. u.C. teve a infelicidade de citar Nietzsche naquilo que não passa de um vômito, termino minhas linhas com o próprio:

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. (Friedrich Nietzsche).

Yá!

Herman ou Niko.



segunda-feira, 26 de março de 2012

Quanto ao Grito e aqueles que, por não ter voz, só resmungam...

The Wall, obra histórica de Roger Waters & Pink Floyd também é um Grito!


O 'Sr. ridículo' volta ao ataque no seu blog, deixando mais evidentes ainda as suas dores.

Um caso de tratamento psicológico quem sabe, para tentar curar alguma frustração, algum trauma de infância, impotência ou algo do tipo. Vou me utilizar de algumas citações do próprio u.C.. Assim começa o texto do 'crítico-pseudofilósofo': "......SALDO POSITIVO é o novo termo que estão usando agora quando uma sede que recebe Cinco mil pessoas por fim de semana (no camping) recebe menos de um quinto disso? (...) (modéstia parte) tomara que eu não atinja um saldo positivo desses!" (se referindo ao número de presentes aproximados do Grito Rock Chapecó, que chegou a mais de 700 pessoas). Positivo SIM! Parece que o Sr. 'u.C.' (ursinho criminoso) ao invés de r.A. (vamos assim chamá-lo para poupá-lo de mais redicularizações que o mesmo já sofre), não vive na realidade sócio-cultural de Xapecó e região, achando que é simples e fácil fazer um evento independente com mínimos recursos, vinculando a produção própria e independente local-regional - e parece que também é sócio do clube em questão, já que 'sabe' ou acha que sabe (ou apenas chutou para engordar seu discurso) do número de pessoas que passam seus finais de semana acampados no local. Continuando, o Sr. 'u.C.' ainda vomita: "...... Não sinto muito por achar isso uma bobagem! E se me desse ao luxo de pensar que um grande grupo de jovens com roupas de marca, tênis importados e carrinhos do papai – sem falar nos equipamentos importados e hiperindustrializados dos músicos – estão fazendo alguma crítica contra a indústria cultural ou sociedade de consumo e mais blábláblá". Isso soa como uma dor de cotovelo, uma inveja, por talvez sua banda (ainda existe?), não ter sido convidada e/ou escolhida para tocar, e/ou por não poder ter esses 'objetos de consumo' que tanto critíca acima (instrumentos musicais não são apenas efêmeros 'objetos de consumo', quem toca e tem consciência disso, do que está fazendo, sabe que, antes disso, são bons 'investimentos' úteis à musicalidade), portanto, este 'argumento' simplista, da forma que foi posto no texto do Sr. u.C., não passa de falácia e/ou discurso na tentativa de desprestigiar algo. O Sr. u.C., levado por um ímpeto de rancor e palavras desmedidas, acaba por generalizar o público de rock da cidade e região que se fez presente no Grito (além de todos os envolvidos: pessoal da capoeira, do teatro, entre outros artistas), inclusive, pessoas do seu meio, ou que, pelo menos são seus 'amigos' (?) e que, diga-se de passagem, estavam por lá também. Com suas dores em forma de palavras, o Sr. u.C. continua: "Seriam mais verdadeiros se dissessem: Fizemos isso para fumar maconha escondido dos nossos pais e nos divertir". - ainda se referindo aos organizadores (TODOS que fizeram parte do Grito: bandas reunidas no coletivo Entrevero) e o próprio público. Aqui o Sr. u.C. demonstra o quanto mesquinho é o seu preconceito. Se algum adolescente e/ou jovem foi para o Grito pra isso mesmo, e daí? 'Viva a diversão!'. Decerto o Sr. u.C., quando adolescente, ficava confinado em alguma igreja para adquirir essa ira contra os que buscam outras maneiras de se 'libertar' dos muros (leia-se The Wall - yé!) criados pela sociedade e própria família. Algo muito comum nessa idade, não é? Não sei o porque do espanto do Sr. 'filósofo' quanto a isso! Ao invés de se divertir também. Mas parece que prefere o confinamento das dores interiores. 'Liberte-se aí bicho! Experimente mais! Ouse mais! Saia do confinamento das quatro paredes! E reclame menos... A vida está além dessas falácias recalcadas'. Tem muito 'jovenzinho' de tenizinho importado e instrumento caro com muito mais teor artístico, crítico e filosófico do que pretendentes a filósofo ou o que for. As mesquinharias e iras do Sr. u.C. prosseguem: "......Me assusta que neste momento nem se quer consigo sentir pena em relação a tamanha enganação (para não dizer ficção ...). Pelo visto tenho me tornado um insensível para com as vergonhas alheias!" - para ele, o Grito foi uma enganação, uma ficção vergonhosa - e uma vergonha para os que dele participaram e fizeram-no acontecer por aqui (mas não bicho, foi realidade, você gostando ou não). O público e as bandas que o digam. Sua opinião não reproduz o que aconteceu, nem de perto. Tamanha contradição para quem no final cita: "(Aposto cinquentinha que encontro esse mesmo grupo revolucionário no Quartanejo de uma conhecida casa Chapecoína! Alguém duvida?)". No fim do seu devaneio, o Sr. u.C. ainda se reafirma dentro da sua própria verdade, aquela que ele criou para si, dentro do seu pequeno e medíocre mundo. E existem histórias e histórias. E essa, quem foi sabe, além da utopia (enquanto vontade de transformação), foi realidade. Para encerrar Sr. u.C., sua citação de Cioran acaba por lhe constranger. Toda boa narrativa, além do fato (no caso da história), tem um pouco de utopia, e isso é necessário para a criatividade e alcance de qualquer feito ou idéia. Portanto, Sr. u.C. contenha-se em escrever de coisas que por hora entenda. Enfim... Vamos adiante, pois enquanto alguns vomitam suas frustrações e mágoas na blogsfera, por serem impotentes na ação, nós precisamos nos reestabelecer da viagem que acabamos de voltar (leia-se espetáculo-celebração The Wall de Roger Waters). Voltamos ainda mais afinados e fortalecidos com essa superdose de vontade de criação que foi o show.

E o 'nosso Grito' também ecoou em POA, no meio alternativo-independente, quando na fila de espera para o show, algumas pessoas vinham nos comprimentar e falar do Grito. Portanto, não adianta, o Sr. u.C., precisa melhorar seu foco, sua visão (que cá entre nós, é embaçada). O conhecimento não se ganha em discursos e falácias - fato! Mas sim, se constrói, na ação, no contato, nas experiências, além das teorias e do discurso. E nós (isso nos mostrou aquele magnífico momento), estamos em constante aprendizado e (des)construção.

...é, não vai atingir um 'saldo positivo' mesmo! Desse jeito, nunca!

'Agulhas nos seus próprios olhos!' - yá!


hgs.

O ‘maior espetáculo da terra!’ – Uma celebração!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não há palavras, mas vou tentar traduzir um pouco, talvez o mínimo do que foi aquilo que vi-ouvi no domingo à noite em Porto Alegre (e não só eu. Foram 6 ônibus e alguns micro-ônibus e algumas vãs que saíram aqui de Xapecó e da região). Aproximadamente 80 mil pessoas puderam ou tiveram o privilégio de poder ver aquilo. Se disser que foi uma apresentação, um show, um espetáculo, estarei mentindo. Por não ter um termo mais adequado (quem saiba ele nem exista), vou chamar aquilo de ‘celebração’. Isso mesmo, foi uma celebração da música e da imagem, da arte áudio-visual. Não foi por nada que este show foi chamado de ‘o maior espetáculo da terra’. Roger Waters é mesmo um dos gênios vivos da música mundial, assim como Pink Floyd foi (e é) uma das maiores bandas de todos os tempos. Chegamos a Porto Alegre depois do meio-dia. Foram quase 8 horas de estrada num ônibus muito confortável. Viagem tranqüila. Durante anos a fio eu e Liza fomos até POA participar do FSM (Fórum Social Mundial) e das Bienais de Arte do Mercosul, e já fazia um tempo que não íamos. Saudades daquela cidade que gosto tanto. Já passei noites em claro naquele caos urbano da capital gaúcha, sentindo a vida e o perigo urbano de perto. Mas essa é outra história. Chegamos direto para o almoço no shopping Praia de Belas, pertinho do rio Guaíba. Confesso que o shopping não é um bom lugar para almoçar. Demora no atendimento e a comida veio fria. Mas o chope, o bate-papo e as companhias salvaram aquele momento. Depois de um tempinho sentados na grama de uma praça pra esticar um pouco, caminhamos rumo ao estádio Beira Rio. Entre uma cerveja e outra (polar, muita polar, dado beer e Heineken – eita!), entre um bate papo e outro, se passaram umas 4 horas - e nós na fila. Uma multidão se dirigia aos portões que se abriram depois das 17h. Sofrimento? Que nada! Cerveja gelada e boas companhias fazem o tempo ser mesmo relativo. Curtimos cada momento, ainda mais sabendo pra onde estávamos indo. Gente de toda a idade se aglomerava naquela caminhada lenta para dentro do estádio. Entramos. Lá estava aquele muro de aproximadamente 140 metros de comprimento e alguns tantos de altura (creio eu) – era enorme! Aquele palco gigantesco e com uma estrutura que eu nunca havia visto antes. Duas enormes torres de projeção direcionadas para o muro. Enquanto o espetáculo não começava, do outro lado uma banda local tocava (muito boa por sinal), era a Bluegrass, que fazia um country-folk na linha mais tradicional. Ficamos um tempo sentados na grama ouvindo a banda e bicando uma cervejinha. O estádio começou a lotar e fomos tomar nosso espaço antes que fosse tarde. Conseguimos um bom lugar no meio das duas torres de projeção. Mais alguns minutos e as luzes se apagaram, a escuridão tomou conta do estádio lotado e os gritos e aplausos se fizeram ouvir. Luzes leves se acenderam no palco e com um estouro muito alto começou o ‘maior espetáculo da terra’. Um clima de ‘revolução’ iniciou o espetáculo, com bandeiras tremulando e símbolos projetados no muro. No final da primeira música ‘In the Flash?’, um avião que veio pelo nosso lado direito, vai e se choca no muro. Se houve uma explosão. O disco The Wall, se não me equivoco, foi tocado de cabo a rabo. Som e imagem como nunca havia visto antes. Falo de qualidade senhores e senhoras, qualidade! Falo de exuberância e grandiosidade. Se ‘não existe mesmo perfeição’, este foi o show deixou essa afirmação em dúvida. Projeção no muro inteiro. A banda tocando no palco que ficava na parte inferior do muro (e que banda!). O espetáculo foi dividido em dois atos ou partes de, mais ou menos, uma hora cada. E a história foi contada. Desde a Segunda Guerra Mundial, passando pela Guerra Fria e a ‘queda’ dos regimes totalitários e por fim a ascensão do capitalismo moderno-contemporâneo (o que foi o maior alvo de crítica do show). Um porco (ou javali) enorme foi lançado acima do público com símbolos e frases de efeito. Alguma frases em língua portuguesa, como: “se o campo não planta a cidade não janta”, estavam escritas no porco. No muro, também foram projetadas algumas frases em português. Waters falou um pouco com o público em português, tecendo até uma crítica ao ‘Terrorismo de Estado’, quando as imagens no muro davam conta disso. Imagens de guerras e ataques do ocidente contra o oriente, muito atuais, mesclavam-se com mensagens anti-consumismo e anti-guerra. Símbolos de poder a todo momento eram trazidos a tona, sempre duramente criticados de forma artística e estética, com certo sarcasmo e ironia. Até aquela imagem divulgada pelo site WikiLeaks de Julian Assenge, denunciando um ataque aéreo do exército norte americano a civis no Iraque foi projetada no muro. Uma homenagem ao brasileiro morto ‘por engano’ na Inglaterra à alguns anos atrás também foi feita por Waters. Tudo isso e muito mais foi possível se ver/perceber e sentir durante esse ‘feito’. Com certeza uma aula de história e sociologia, tendo como linguagem a música e a poética e o realismo e beleza e pujança das imagens. Tudo muito bem sincronizado e preparado para possibilitar efeitos e leituras. As referências também ficaram visíveis para os que conhecem e relacionam obras e criação. O escritor George Orwell e suas obras: ‘1984’ e ‘A revolução dos bichos’, assim como o artista plástico Banksy, entre outras, certamente, foram referências para a construção e concepção do espetáculo. Acabado o concerto da ‘maior ópera rock da história’, com muitos agradecimentos por parte de Roger Waters e sua equipe de músicos e produtores, nos dirigimos a saída do estádio. Tudo transcorreu bem, e o comentário era um só por parte de todo aquele povo que se reunião para tomar uma superdose de música, arte, cultura, história e crítica social: ‘Sem palavras!’. Sem exageros, mas isso tudo o que escrevi aqui, não chega nem perto do que pude presenciar. E o mundo continua a valer a pena, e eu alimentado de vontade criativa e de luta - mais ainda, depois disso. Ouvidos, razão e alma contemplados, agora é refazer o mundo, alimentado com essa ‘celebração’ a arte e a vida. Eu que já era exigente (ou chato) em relação as minhas escolhas, ao meu gosto, aos meus critérios quanto a arte de um modo geral, com isso, me tornei ainda mais. Enfim... Obrigado Roger Waters e The Wall!


Herman G. Silvani (ou Niko).


















* Vídeo/Abertura do Show em POA:





Mais informações e imagens em:






quinta-feira, 22 de março de 2012

Um Grito ousado...




















Grito Rock Chapecó.. Um Grande Grito!

Saldo positivo! O ‘nosso Grito’ teve no mínimo 700 pessoas envolvidas.  

* texto completo, mais fotos & informações em:

http://www.epopeiarock.blogspot.com/

“A arte da vida, da vida de um poeta, é, diante do nada o que fazer, fazer algo”.
(H. D. Thoreau)