terça-feira, 24 de maio de 2016

O Brasil dos sonhos perdidos...



Vivemos tempos sombrios na política. A dissolução do MinC (Ministério da Cultura) sob o título de anexação ao Ministério da Educação (junção de pastas), e o fim do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre outras ações retrógradas do atual ‘novo-velho’ governo (interino), conotam o desmantelamento de uma estrutura socioeconômica constituída com muito esforço e luta por parte dos trabalhadores nas áreas afins. Enquanto isso, ministros nomeados na lista da Lava Jato, e a grande mídia fazendo pouco caso de todos os retrocessos. Na Educação, o novo ministro sinaliza apoio à cobrança de mensalidade dos alunos nas Universidades públicas, enquanto o MEC (agora Ministério da Educação e Cultura) suspende novos contratos do Fies, Prouni e Pronatec em faculdades. E pelo mundo, o Brasil vai virando motivo de crítica, ironia, piada. Os batedores de panelas e manifestantes uniformizados pela FIESP e demais entidades industriais-empresariais (FIESC, ACIC, CDL e afins), deram uma sumida (arrependimento ou satisfação?), enquanto a OAB, STF e demais entidades do ‘gênero Olimpo’, tentam amenizar suas cumplicidades no processo de ‘golpe’ (impeachment), de forma a manterem seus status. Mas a realidade não quer calar, e a política e a realidade brasileiras vão se tornando um antro de interesses privados, onde a ‘corrupção’, palavra tanto gritada nas ruas, se abriga com maior segurança debaixo de um governo golpista e seus financiadores. O sonho mesquinho de muitos ‘anti-petistas’ vai, aos poucos se perdendo no chão duro da história. Isso não é mais democracia. Nunca se teve um autoritarismo como o de agora, diferente daquele do regime militar, mais maquiado e sem repressão direta dos militares. Uma ditadura de certa elite econômica, ou seja, do setor privado em comunhão com a mídia e o judiciário brasileiros. Todos se portando como ‘semi-deuses’ no Olimpo, brincando com a população e contando com o mais forte dos aliados, a estupidez e mediocridade do senso comum. Assim, maquiados e na vertical, vão saciando seus fetiches autoritários...

Não pense em crise, trabalhe! (?)
Sim, vou parar de dormir, comer e me divertir então, pois o que mais faço (como todo o trabalhador deste país) é trabalhar, cumprir horários. Com toda a tecnologia 'disponível' e os excessos (sobras) do mundo capitalista, hoje, bastariam em torno de 15 a 20 horas semanais de 'trabalho' para TODOS viverem dignamente, é só organizar. Mas o 'sistema' é um monstro que come cabeças, almas, corpos, e quer seu sangue e seu suor transformados em cifrões, sendo o 'trabalho' (da forma que é) um escravismo disfarçado de necessidade e honra. Os ‘golpistas’, até então, só falavam em crise... crise... tanto que a alimentaram. Agora não é mais para pensar ou falar nela. O discurso já é outro. Demagogos hipócritas e seus rebanhos, dissimuladores da realidade e do bom senso, ‘vão a M...!’

Adeus ao Chocolate...

Xapecó perde mais um de seus 'personagens' históricos. As ruas da cidade estão mais tristes e vazias. Será que alguma rua será batizada com seu nome?
Bom descanso Chocolate!


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó




quarta-feira, 18 de maio de 2016

Xapecó, cidade cover...

Xapecó tem um belo histórico de produções artísticas, intelectuais, políticas e culturais. De poetas e compositores musicais a professores, pesquisadores e agentes políticos. ‘Personagens’, muitos deles(as) reais, uns já mortos, outros ainda vivos, partes fundamentais da história do município e da região Oeste. Poderia citar aqui nomes como os de Fen’Nó, a ‘índia guerreira’, Vicente Morelatto, o ‘poeta da chacina’, Dom José Gomes, o ‘bispo do povo’, Tyto Livi e Grupo Nozes, os ‘pioneiros do rock autoral independente regional’, entre outros artistas plásticos, escritores, pesquisadores, etc. Todos(as) com suas devidas importâncias no desenvolvimento de nossa cidade, sua história, cultura e educação. Viajando pelo tempo, foram muitos os indivíduos criativos que deixaram, de algum modo, seus feitos, suas produções ou criações registradas para que a cidade pudesse ter sua história de desenvolvimento humano, social, artístico, político ou cultural. Atualmente, aqui mesmo neste chão, muito de conteúdo autêntico se produz, e são vários os produtores. Porém, nos meios de comunicação de massa, como geralmente acontece em quase todo o país, os espaços para estes são restritos. TV, rádios e jornais, em sua esmagadora maioria, reservam maior espaço para o segmento de ‘reprodução’, o que na música chamamos de ‘cover’. Uma espécie de ‘imitação’ de algo que é o ‘original’. A  exemplo, nos bares e casa de shows da cidade, pouco ou quase nada se ouve tocar músicas dos compositores locais, assim como, existe o predomínio do ‘cover’ em detrimento da música autoral (composição própria) nos eventos musicais. E isso, de certo modo, atinge as outras áreas da produção, sejam elas artísticas ou não. Ou seja, sofremos de falta de incentivos, tanto do poder público e do setor privado-empresarial, quanto de parte significativa dos cidadãos xapecoenses. Isso não é regra geral, é claro, mas, o predomínio da ‘imitação’ ou da ‘reprodução’ do que já é consumado (e consumido), do que ‘vem pronto’, é fato, infelizmente. Perdemos, enquanto ‘comunidade’ (cidade ou sociedade) com isso, alguns ‘valores próprios’, quando oportunizamos e valorizamos mais ‘produtos’ industrializados e vendidos (como mercadoria e ideologia) do que ‘arte’ e ‘produção autoral’ locais, desprestigiando assim o que poderia fazer parte de uma identidade local, ou ‘nossa própria identidade’. Nisso, somos uma cidade sem ‘voz própria’ em muitas e fundamentais questões. Estas ‘vozes’ existem, porém, nem sempre, quase nunca ou muito pouco, são ouvidas e ecoadas. Muitos ‘preferem’ o que já está dado. Medo do novo? Do próprio? Ou falta de consideração sócio-histórica, artística e cultural local? Bandas ditas ‘cover’ enchem a noite xapecoense com as canções ou músicas que não são suas. Nada contra. Mas também, nada a favor, pois, reproduzir não é criar, nem aprofundar ou ampliar. Reproduzir é apenas repetir, imitar e matar – ou morrer. Xapecó é uma ‘cidade cover’ quando muda o nome de uma rua ou de um estádio de futebol só para riscar a palavra ‘índio’ da sua formação. Quando valoriza mais o ‘produto’ mercadológico do que a ‘arte’ e o que vem embalado de fora e de cima pra baixo (leia-se ‘indústria cultural’) do que o que se cria e se produz aqui. E é assim que, através dos anos Xapecó vai envelhecendo com uma saúde precária, mas, muito bem maquiada. E é assim que também vejo muita linguagem e produção local morrer lentamente... 


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó



terça-feira, 3 de maio de 2016

O crime de Dilma (ou O ‘Tchau querida!’ e o machismo)


A caçada a presidenta Dilma, além de um processo cheio de subjetividades que pouco ou nada comprovam algum crime por parte dela, começou já na sua primeira campanha eleitoral. Um dos principais motivos: ser mulher! Sim, um ser humano do gênero feminino. Bem lembro de algumas polêmicas geradas e alimentadas por sua oposição e pela grande mídia nacional (que também faz parte desta ‘oposição’), não só político-partidária, mas oposição de gênero e condição sociocultural. Ou seja, a primeira presidente (ou presidenta) mulher, eleita democraticamente pelo voto direto, desde o início gerou resistência de alguns muitos setores conservadores e machistas da sociedade, acostumados, historicamente com o jogo de poder entre varões (leia-se homens ou machos). Historicamente o Brasil é um país (como tantos) patriarcal, onde a mulher sempre foi inferiorizada, e a perseguição à presidenta iniciada pelo preconceito, antes mesmo de se tornar presidenta, onde chacotas com seu biotipo, sua aparência, sua oratória e sua história de mulher guerrilheira contra a ditadura militar (regime que, diga-se de passagem, também foi masculino e machista), reforçada depois de já ser eleita, representa em certo grau esta tentativa continuada de inferiorização, submissão e ‘marginalização’ do feminino – também na política. E está aí a medíocre e machista frase dita pela boca de muitos deputados (homens – ou algo similar a isso) no dia da votação do impeachment no congresso: ‘Tchau querida!’. Uma forma ‘irônica’ ou ‘sarcástica’ de impor o predomínio do discurso e postura machista, de forma ‘semi-velada’ (tentando ser ‘engraçadinha’) sobre a imagem, corpo e pessoa de Dilma, que, mais que uma chefa de Estado, é uma mulher. Não bastasse isso, a grande mídia ideológica e imbecilizadora, usou outro chavão do gênero, só que agora acima da figura da possível futura ‘primeira dama’, tentando gerar um efeito contrário, que diz: ‘bela, recatada e do lar’. Esta configuração representa aquilo que a sociedade patriarcal-machista quer que seja ou continue sendo a mulher brasileira. Ou seja, que a mulher tenha estas características e funções na sociedade. Substituindo a falta de ‘presença’ ou ‘aparência forte humana’ do vice Michel Temer, sua esposa, mais nova e seguindo um estereotipo de ‘mulher’ que muitos querem que seja, acaba servindo à ‘ideologia do território’ como um símbolo de demarcação deste espaço que é o poder, mesmo ela sendo apenas ‘alguém ao lado’ do seu ‘homem’. E é isso que os machistas que ocupam parte significativa do poder governamental querem. Dilma não é esta mulher, ‘símbolo sexual’ de uma suposta ‘fragilidade’ ou ‘feminilidade’, onde a beleza estética segue certo padrão que, por sua vez, vem acompanhado de certo comportamento. Comportamento este inferiorizado na figura feminina. Dilma, diferente de grande parte dos seus desafetos políticos (homens) não faz happy hour nos bares de Brasília no final do expediente, nem tampouco os acompanha nos vídeos pornôs ou noitadas nas zonas do entorno da capital federal. Dilma é mulher de carne, osso, alma, cabeça e coração, e não uma manequim ou alegoria dos homens que a perseguem e incriminam. Por isso, o ‘crime’ de Dilma está além de ser presidenta petista. O ‘crime’ de Dilma para estes senhores hipócritas e machistas, é ser mulher. Eis um dos principais motivos desta caçada em forma de golpe e enfeitada com o título de impeachment.


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó



terça-feira, 26 de abril de 2016

Em cartaz: comédia & caricatura...

Propor não ofende.. ofende?

os 'homens da redoma', vivem como se acham: 'semi-deuses', superiores a população.. e geralmente discursam como tais.. saindo da 'redoma', como já disse um bom e velho filósofo e poeta, 'de trás das suas mesas entulhadas de papéis e burocracias, são frágeis garotinhas perdidas na floresta de um mundo que lhes é estranho.. e por lá se perdem esquecidos, sem ter o que lhes edifiquem...'
pensando nisso, que tal as 'classes' política e jurídica (juízes, advogados, promotores e afins), assim como 'lideranças religiosas' (e suas famílias) e grandes acumuladores de capital (grandes empresários urbanos e do campo) se ocuparem apenas dos serviços públicos? obrigatoriamente.. principalmente 'saúde e educação'.. seria uma boa proposta para que algo realmente tenha coerência neste 'faz de conta todo', não seria? nada mais 'justo', não é? já que é por isso e por causa disso que ocupam os lugares que ocupam.. ou não?


'Piada': Uma nova realidade...

acompanhando a 'seriedade, postura e credibilidade' das nossas 'instituições políticas e jurídicas', eis que resolvo parar com a literatura e a filosofia.. agora me dedico exclusivamente para a arte da charada e da piada:

"OAB entra com pedido de cassação do mandato de Bolsonaro por homenagear torturador na sua justificativa de votação do impeachment de Dilma.. Bolsonaro responde com ironia, repetindo e reforçando a homenagem..
Por que Bolsonaro prossegue nas suas investidas anti-democráticas e fica por isso mesmo?
Porque tanto 'Olimpo' quanto 'Mito' pertencem ao mesmo plano..
o plano 'mitológico'..." (gargalhadas coletivas ao fundo)


Discursos na votação representam parte da nossa cultura e educação...
os discursos na votação do impeachment comprovam e esclarecem (aos esclarecidos, e não simplesmente portadores de diplomas ou entusiastas midiáticos) que, eles são o que são pois acompanham o nível intelectual e cultural da dita 'classe política' que, em certo modo, tristemente, representa parte significativa do pensamento da população.. vivemos numa sociedade patriarcal, medíocre e de cunho fascista...


Sentado...
esperar o que de uma votação, de deputados, de um congresso que mais parece um templo religioso, uma igreja?
esperar o que de um país cuja 'justiça' (STF e OAB), é no mínimo cúmplice do espetáculo midiático, da vulgarização da política e de um processo vergonhoso (ou golpe, como preferirem) como foi aquela votação do impeachment?

“Uma das desgraças da política é ter abandonado o campo da filosofia e ter se transformado em um receituário econômico”. (Pepe Mujica)


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



quarta-feira, 20 de abril de 2016

Outra Educação: para além dos discursos...

São comuns os discursos vindos da publicidade, das escolas particulares e públicas, e do Estado sobre a Educação, de como melhorá-la, ampliá-la, salvá-la. Discursos são muitos. Práticas efetivas, poucas. Por uma Educação mais reflexiva, mais ampla e dinâmica, que faça com que os alunos ampliem seus leques de conhecimento, possibilidades e oportunidades de integrar o mundo, a sociedade, o país. Para que haja um futuro promissor no sentido ambiental, existencial, humano. Mas, a realidade em muitos casos está distante destes discursos, destas propagandas, onde, muitas vezes, acontece o oposto. Nossa educação é frágil e ideológica, devido, além de sua história, aos interesses políticos e mercadológicos das instituições de ensino, do Estado e também das famílias. Enquanto no mundo se discute uma nova sociedade, onde novas culturas e modos de ser/estar, de se fazer e viver, que integrem um contexto de mundo sustentável, devido aos excessos e desequilíbrios, tanto culturais, quanto ambientais e econômicos, instituições de ensino continuam a mecanizar o tempo, a partir de um horizonte econômico e mercadológico. Uma educação direcionada ao vestibular, ao ingresso para a faculdade, tecnicista, reducionista, e portanto, determinista, onde pais e instituições prezam pela integração do aluno no tal mercado de trabalho, como concorrente, uma fera que disputa um posto e status social num futuro que é nebuloso e nada garantido, justamente, por isso. Vejo escolas, ao invés de ampliar, diversificar, relaxar o tempo, oprimirem ainda mais os espaços e o tempo, e com isso, os próprios alunos e a educação, suprimindo, por exemplo, a filosofia dos seus currículos, assim como, diminuindo os espaços das artes, literatura e história, em pró de ‘disciplinas’ técnicas, como gramática, por exemplo. Nada contra a gramática ou o que for, mas, como sempre digo nas minhas falas referentes a isso: ‘gramática é instrumento necessário, mas linguagem e reflexão são fundamentais’. A filosofia, a exemplo, se bem aplicada, amplia a visão do estudante, assim como as artes e a literatura, no sentido de melhorar a sensibilidade. E é isso o que o mundo atual precisa: ‘sensibilidade’. É com ela que poderemos ampliar e transformar a educação e cultura em algo flexível, prazeroso, humanamente possível, sem concessões, ao natural (ou, pelo menos, mais próximo disso). Não há mais pretextos, desculpas ou justificativas para não implantar nas Escolas (públicas e particulares) alguns conteúdos e práticas como o Chi Kung (Qi Gong) ou Tai Chi Chuan (Taiji), assim como o Kung Fu (a partir do estudo das chamadas ‘artes internas’ – leia-se concepção a partir da cultura chinesa). Filosofia, linguagens, música, ginásticas artísticas e capoeira (como estudo sociocultural e físico) também são exemplos de conteúdos ‘fundamentais’ para os tempos atuais. Querem mesmo transformar, melhorar ou aprimorar a Educação e Cultura? Eis o caminho! A educação e a cultura, só estão como estão, devido a um modo de vida, seus pensamentos e práticas insustentáveis. São necessárias outras fontes, para que outras práticas sejam possíveis. Já é tempo de realmente mudar e transformar, para além dos discursos. Mas, porque não se faz?


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nossas crises...

Nossa crise vai além, muito além da econômica (que, diga-se de passagem, é também mundial). E esta não é a nossa maior crise. Por isso, falamos em crises (plural).
O Brasil, historicamente e culturalmente é corrupto e racista. E isso, tristemente se estende às instituições, até aquelas 'sagradas', ou seja, as 'de direito' ou com teor de 'jurídicas' e políticas, assim como na família e na religião. Falta certa moral e ética nos pensamentos, costumes, tradições, ações de parte da população que foi educada ou doutrinada, quando não militarmente, ideologicamente ou religiosamente, sob a sombra de certas concepções 'elitistas' e 'raciais' de classe. Porém, nem todos, ou muitos poucos, sabem ou compreendem isso. Outros, não querem nem saber.
Nossa maior crise é educacional e cultural, no que concernem os valores, crenças, bases teóricas, o que reflete diretamente nas práticas cotidianas, dentro e fora das instituições. E aí está a conjuntura, o contexto atual, o resultado do desmantelamento sociopolítico. Eis a face de uma realidade que poucos admitem e muitos não fazem questão de modificar...

*


Vamos brincar de ser gente séria? Fazer de conta que nosso maior problema é o governo e a corrupção que atribuímos exclusivamente para ele? Sair pra rua manifestando nossos anseios, euforias, histerias e disfarces de uma vida mesquinha, medíocre, incoerente e insustentável. Vamos vestir o verde-amarelo do futebol-nike e mostrar os peitos pelas ruas, vomitando discursos odiosos anti-projetos sociais. Vamos fazer de conta que também somos contra Cunha e demais psicopatas da política nacional, mas torcemos por ele e sua investida criminosa contra a democracia. Vamos com nossos interesses pessoais ou particulares gritar pelo impeachment da presidenta, nem que este seja um golpe de Estado arquitetado para fins político-partidários. Nós não acreditamos no óbvio, só naquilo que nos interessa crer. Somos religiosos até o talo, como nossa nova musa passageira e como tantos outros heróis da pátria fumegante que usurpou nativos em pró desta ‘civilização’ de bondosos cidadãos brancos e ricos de bem - a jurista-pastora que, histérica grita pelo impeachment que nós ansiamos ver para que nosso carnaval de misérias intelectuais, culturais, morais e éticas seja da cor da nossa bandeira, onde o sangue do nativo foi encoberto pela hipocrisia discursiva da ‘ordem e progresso’ positivista, portanto ideológica. Mas nós fingimos bem. Reproduzimos e nosso ódio opositor nos traz sentimentos de que estamos vivos, nem que seja por míseros instantes. Nos apegamos a homens-mitos como Bolsonaro, Neves e Rodrigues. Somos o cú da falsa inteligência. A bunda gorda e sedentária batendo panelas das janelas limitadas da nossa alma sem luz nem reflexão. Na pseudo-filosofia somos Olavos de Carvalhos, como na música somos Lobões disfarçados de cordeirinhos, mas somos também parte do rebanho que não quer se auto-determinar, mas quer prosseguir sob a sombra dos seus pastores. Aleluia!


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



terça-feira, 5 de abril de 2016

Dos golpismos institucionalizados...











OAB (junto a entidades empresariais/industriais do país) apoiando o golpe?!

"Aqui todo mundo acha que é alguém" (fala de manifestante, referente aos burocratas que ocupam as instituições, sob tudo, aqueles juízes com 'diploma de deus', certos promotores e advogados)...
A OAB nacional, que em tempos sombrios da nossa história, apoiou a ditadura, agora protocola mais um pedido de Impeachment contra Dilma. As portas da Câmara Federal fechadas para o povo, que protestava, impedido de acompanhar as solenidades da ‘casa do povo’. Eis a atitude da OAB, no mínimo, contraditória ou controvérsia. Instituições ‘divinizadas’ agindo por motivações políticas ou partidariamente...

PMDB tira o corpo fora...

- Herman, o que achou da saída do PMDB do governo?
-    É o PMDB sendo o PMDB... Precisa dizer mais que isso?

PMDB sai do governo, mas, possivelmente, num futuro não tão distante, seja governo. Mais uma das incoerências da nossa medonha política...

Educação nazi-cristã?!

Notícia: "Depois de atacar uma manifestação em defesa da democracia na última semana, estudantes do Mackenzie imitam neonazistas europeus durante ato pró-impeachment:"
O Estado (governo) não deu conta, mais uma vez, de somar com artistas e pensadores para uma 'transformação' cultural-educacional. Melhorou significativamente os acessos aos bens de consumo (e a economia), elevando a classe baixa e média, e mantendo (em muitos casos até fortalecendo) a classe alta, mas não conseguiu avançar naquilo que é fundamental: educação e cultura, para uma sociedade menos doutrinária e ideológica e mais intelectualmente (no sentido filosófico e cultural) profunda. E eis o resultado político e social, que é, no fundo, educacional e cultural...

Desenho surreal...

Cai Dilma... Cai Temer e cai Cunha... Assume o deputado mais votado. Eis que, Tiririca, o palhaço, faz jus a este circo (leia-se, país)...

Do que somos feitos?

Somos feitos, além da herança biológica, das influencias familiares (e geralmente ideológicas) e das referências socioculturais. O que pensamos e somos, o que temos enquanto valores, praticamos ou agimos, também depende do que cultivamos. O que comemos e bebemos, lemos, ouvimos, assistimos, e por fim, fazemos, nos compõe enquanto seres humanos, cultuais e sociais (e também históricos). Com tudo isso, seres, mesmo assim, inconcluídos ou inacabados, sem um lugar final, mas integrando um caminho...



* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.




sexta-feira, 1 de abril de 2016

O que eu defendo...

Eu, Herman Gomes Silvani, brasileiro, estudante e professor de filosofia, história, sociologia, linguagens e Kung Fu, assessor de comunicação e político de sindicato (professores das instituições particulares e comunitárias de ensino), escritor e compositor musical, no contexto atual, não estou defendendo dois nomes e uma sigla partidária, estou defendendo algo bem maior: o pouco que se tem daquilo que se entende por 'democracia'.
Defendo projetos socioculturais que elevam as categorias intelectual, cultural, artística e econômicas (economias sustentáveis) do país. Como cotas, bolsas, instituições públicas de ensino, editais públicos de produção artístico-culturais, entre outros acessos. Defendo a democratização dos acessos que como nunca antes na história se teve. Defendo meu 'vale cultura' que acaba de chegar. São 'apenas' bons R$ 50,00 por mês para gastos exclusivos em material artístico-cultural-educacional, coisa que antes da conjuntura dos últimos 13 anos, não existia. Coisas que elevaram, em certo sentido, a sociedade brasileira a um nível jamais antes experimentado.
Por isso e por outras, é que me posiciono contra o ‘golpe midiático-político-empresarial’ endossado por instituições e alguns juízes deste país. 
Enfim. Para além dos 'achismos', das reproduções espetaculares, das ideologias e mídias, defendo algo 'concreto' e real. Eis!


Uma dose de pessimismo (ou realismo?)

Não espero muito de um país que mais uma vez está para marcar sua história com um golpe (desta vez de um casamento entre judiciário e grande mídia). Em outros contextos, mas já aconteceu com Vargas e com Jango, e neste exato momento está acontecendo hoje também. Judiciário, mídia, alienação e ignorância de parte da população só pode dar nisso. Num sistema onde 'financiadores' e 'delatores' (ambos criminosos) tem voz ativa frente a ‘justiça’, esperar o que? Talvez nossos filhos ou netos consigam mudar isso. Talvez! Ou sofrerão as consequências do hoje, como foi com nossos avós e pais. Mas, contudo, espero estar equivocado...


Como o mundo-verdade tornou-se uma fábula

“Há mais ídolos do que realidades no mundo.”
(Nietzsche - 'Crepúsculo dos Ídolos')


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



sexta-feira, 18 de março de 2016

A imagem do século!

Poderia ganhar o prêmio de ‘A imagem do Século - made in Brasil’. A imagem do século é uma imagem da decomposição. A decomposição de uma cultura ou uma nação que talvez nunca tenha chegado a ser. E foram várias tentativas de justificá-la, nenhuma convincente e com sucesso. Família rica (ou pelo menos classe-média alta), branca, saudável (externamente e aparentemente), saindo à rua num domingo ensolarado para ‘protestar contra a corrupção’. Moralizar uma situação sendo imorais ou sem ética. Eis a contradição da imagem. * A imagem: ‘o marido-pai, jovem e forte, acompanhado da esposa-mãe, também jovem, que vai conduzindo um cachorrinho de raça, ambos vestindo as cores da bandeira do Brasil, enquanto a empregada doméstica e babá, negra e pobre, vestindo uniforme de trabalho, empurra o carrinho de bebê com os dois filhos do casal classe-média-alta’. Em tempo de crises, isso mesmo, crises, no plural, pois, uma das maiores crises, como bem relata a imagem, é a crise de valores, o pai, sendo jovem e forte, bem poderia empurrar o carrinho dos bebês, não poderia? Questão de justiça, gentileza ou generosidade aos mais velhos, ‘fracos’ e necessitados. Em outros tempos, um ‘homem’ digno de sê-lo faria isso. Mas, os tempos são outros. Depois das críticas a imagem, resumidamente, a justificativa publicada do casal traz o mesmo discurso arrogante e medíocre de sempre: ‘pagamos bem a empregada para que faça seu trabalho, se não estiver contente, tem a liberdade de pedir demissão’. Neste tom a justificativa do ‘nobre’ casal representa parte significativa de uma dita ‘classe média’ e ‘alta’ no Brasil que, de sensibilidade e cultura (no sentido de certa profundidade intelectual e/ou refinamento artístico, portanto, de sensibilidade humana) não tem nada, quem dirá de consciência social e política. Só tem certo ‘poder’, ou melhor, dinheiro, capital, e autoproteção ou certo privilégio por isso. Nada mais. Uma condição tão miserável como tantos que desfilam suas soberbas, suas arrogâncias e mediocridades pelas ruas e redes sociais da vida. E a manada reproduz esta ‘naturalidade forçada e artificial’ como se fosse a ordem natural das coisas, ou um caso de ‘justiça’ pautada na crença da meritocracia. Assim as classes sociais se dividem e uma explora a outra para manter seus privilégios e confortos egocêntricos e bizarros. O sonho de muitos que ainda não chegaram lá e o pesadelo de muitos que nunca vão chegar. A imagem é violenta, humilhante. Pior que, o pouco que pude ler/ouvir da empregada, concorda com muito do que seus patrões disseram na sua justificativa publicada. Sem consciência de classe, a empregada é parte da decomposição do bom senso e da sensibilidade que outrora cintilava pelas ruas, constituindo a imagem da humilhação, o que muitos confundem com humildade. Pelo que falou em entrevista, sente-se parte de um ‘processo natural’ civilizatório-evolutivo - ou divino. E a imagem da decomposição exala seu cheiro de um modo de vida em estado de putrefação, compartilhado e integrado por muitos que, como o casal em questão, justificam seus mundinhos mesquinhos e humanamente miseráveis com uma imagem soberba de poder, até que um dia morram e suas imagens, junto à sensação de poder, sucumbam na inevitável decomposição dos corpos já sem cor ou classe.


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



terça-feira, 15 de março de 2016

O maior espetáculo do Brasil!

Não, não é anúncio de circo (mas poderia ser). O maior espetáculo do Brasil foi televisivo e aconteceu há poucos dias atrás. A condução de um dos (senão o mais), popular político da história do país, o ex-presidente do Brasil, Sr. Inácio Lula da Silva, coercitivamente, para depor na PF (Polícia Federal – mas poderia também ser ‘Prato Feito’) filmada em transmitida (com comentários) ao vivo pela emissora mais ideológica da nossa televisão aberta (plim-plim!). Políticos intimados a depor no Brasil - virou rotina. Uma pessoa que vai depor não significa que tenha culpa de algo ou seja criminosa, é apenas parte de um processo investigativo. E, Lula, por ser um homem muito popular, até entendo que gere certo alvoroço dos meios de comunicação de massa que, em vários aspectos vivem disso, ou seja, de ‘rumores’, mesmo eles tendo pouca ou nenhuma relevância na ordem do dia ou das coisas. Notícia por notícia, informação por informação (ou desinformação), as programações de televisão estão cheias, porém, tudo tem seu limite (ou pelo menos deveria ter) - e também deveria ter seu bom senso, mas... Nossa história da ‘comunicação’ pública (ou melhor, ‘publicada’), é em grande parte bizarra. Sempre atendendo interesses privados de grupos de poder. Foi assim com o golpe militar-midiático (não necessariamente nesta ordem) em 1964. Foi assim com Getúlio Vargas e sua ‘mortal’ oposição lacerdista. Depois, já no período democrático, com as campanhas do Lula para presidente. Neste período se fabricou até um dito ‘caçador de marajá’ (Collor de Mello) que derrotou Lula e depois foi derrubado pelo primeiro e único caso de Impeachment da história do país (até então). Tudo isso, sempre tendo a grande e fundamental influência das grandes mídias do país. Até que um dia, em outro contexto mais recente, de tanto tentar, Lula conseguiu ser presidente. Mas, os interesses privados e ideológicos da grande mídia, seus aliados e financiadores (grandes empresários e latifundiários) não poupam. E se arma mais uma vez um grande circo que conta com muitos palhaços para rirem-se e/ou certo público receptor para reproduzir e assim manter o ‘espetáculo’ e os interesses por trás dele. Enquanto a condução espetacular de Lula para depor é assistida ao vivo pela TV, Aécio Neves, o grande nome da oposição (ainda! - por não terem outro nome melhor), é citado 5 vezes na Lava Jato. Será que, na próxima mobilização contra Dilma, Lula, PT, comunismo, bolivarianismo, esquerda, etc., os ‘manifestantes verdes-amarelos-contra-corrupção’ vão protestar contra o envolvimento neste ‘jogo’ sujo (político-econômico que é a política oficial-institucional brasileira) de Aécio e da própria oposição? E a oposição afirma em alto e bom tom: “Não vamos aprovar nenhum projeto do governo até que a presidente não caia”. Eis pelo que a oposição trabalha! Agindo assim, estão pensando no país? Na população? Não, apenas no ‘joguinho dissimulado’ que é a nossa política e seus interesses privados e ideológicos. Estão cagando para o país e para você que, tolo, reproduz o discurso midiático. Enfim... No meio da fumaça de um circo pegando fogo é mais fácil se esconder. E os palhaços, mesmo sufocados, continuam rindo-se...


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó.



sexta-feira, 11 de março de 2016

Na noite xapecoense: 'pessoas elegantes e pessoas enfeitadas'...

Certa feita, certo 'pensador' disse: 'no mundo existem dois tipos de pessoas: as elegantes e as enfeitadas'. Nisso, ouço pelo rádio uma chamada para duas festas do dito 'sertanejo universitário' de uma dita 'casa de shows' (meio badalada) aqui da cidade, que dizia: "O que acontece na 'casa' fica na 'casa'" - e outra: "Se eu não lembro, não fiz". Estes são os nomes das 'festas'. Percebam o recado sugestivo que estes nomes de festas trazem em si. Como tantos eventos de 'música popularizada' (e não 'popular' como se diz), convites sugestivos que induzem e 'tentam' ser 'descolados', inteligentes e bem humorados, mas que, no fundo são apenas discursos clichês e apelativos. E o 'estilo musical' traz em si o complemento 'universitário'. Com isso, conseguiram ludibriar direitinho àqueles que não pensam por si próprios e 'vivem na carona' de outros. Nessas festas prevalece certa 'breguice' (não me refiro ao 'brega' popular como proposta estético-provocativa), mas sim àquilo que quer ser sofisticado ou inteligente e acaba sendo vulgar e caricato. Um pseudo-refinamento, uma tentativa discursiva de elegância, inteligência ou sofisticação. Começando pelo anúncio dos eventos e pela 'baixa qualidade' artístico-musical das atrações e indo até a 'ação de rebanho' e falta de personalidade daqueles que apenas consomem e são consumidos, seguem modas e alimentam o circo horroroso que é esta 'cultura do espetáculo', da frivolidade e da falta de ideias e imagem próprias. Elegância é outra coisa. Falando em cultura, a 'cultura popular' em sua maior expressão está no interior, nas suas festas e ritos, como as das etnias indígena e cabocla. Mas, a questão que problematizo é o centro da cidade mesmo, no que alguns chamam cultura pra juventude. Acontece que não há uma política pública quanto aos espaços para a questão sociocultural na cidade, aí o negócio fica concentrado no setor privado. Assim ficamos reféns do capital, do dinheiro. As poucas ações que existem, geralmente vem de pessoas que se organizam independente do poder público, na maioria das vezes em 'feiras’. E mesmo nestas, predomina o ‘comércio’. Elas precisam ter mais elementos artísticos, assim como incentivar o 'escambo' (troca) e valorizar os artistas que se apresentam e expõem sua arte, para além da compra e venda. Em se tratando de 'artesanato', acho válido que se comercialize, como acontece, porém, também defendo que precisa mais espaço e incentivo e valorização da 'arte' mesmo, dos artistas e suas expressões. Não sendo contra, muito pelo contrário, é digno que aconteçam feiras, e que o artesanato, assim como o 'comércio alternativo', tomem seus espaços, porém, como já disse, para ser algo mais abrangente, a arte e suas expressões precisam acontecer e serem valorizadas também, assim como está sendo o 'comércio alternativo'. E isso, para se tornar uma cultura, um hábito em Chapecó, depende, além da organização, dos que frequentam e vivem isso, sejam eles 'artistas' ou 'apreciadores' das artes, de investimentos e projetos vindos do poder público. Ofertar isso à população é obrigação, e assim ter espaços diferentes ou alternativos aos das festas privadas cheias de enfeite e pouca elegância.


* também publicado no jornal Gazeta de Chapecó